30 maio 2005

A poesia de Brecht em tempo de crise...

Nunca a poesia me pareceu tão necessária. Contra a angústia, a mesmice e a mediocridade da vida pequeno-burguesa que levamos - quase todos! -, bom mesmo seria morrer de amor... escrevendo e declamando, no intervalo de cada paixão, algumas dúzias de poesia. Como a de Brecht, que abaixo reproduzo. Sonhar, armadilha de que não devamos nos esquivar!
Aos vacilantes

Você diz: nossa causa vai mal.
As trevas aumentam.
Nossas forças diminuem.
Depois de termos lutado tantos anos,
estamos numa situação pior do que a do começo.
E o inimigo está mais forte do que nunca. (...)
Cometemos erros, não se pode negar.
Estamos ultrapassados?
Não compreendemos mais nada e ninguém mais nos compreende?
Precisamos ter sorte?
É o que você pergunta.
Mas não espere resposta a não ser de você mesmo.

Bertolt Brecht