10 julho 2006

Mundo da vida...



O importante pensador alemão Jürgen Habermas - ao qual tanto devo! - costuma dizer que devemos a toda a prova evitar que o mundo da economia contamine, colonize o mundo da vida, parte de nossa existência em que deveriam estar todas aquelas coisas que se pautam por valores, signos, credenciamento de sentido. Perry Anderson, historiador marxista inglês, a quem também sou grato pelos estudos acerca dos "marxistas ocidentais" (expressão, creio, de Merleau-Ponty), vaticinou: "Existiu um dia em que o mundo da vida não foi colonizado pelo mundo da economia, do dinheiro?" A impertinência a Habermas, a meu ver, é pertinente, carrega sentido. Com o final da Coda da Alemanha, ontem, em que, merecidamente, venceu a Itália, vimos de tudo numa "grande síntese" do que têm sido eventos esportivos, cuturas, artísticos de uma maneira geral: ingerência da marca, tirania de cores e símbolos neste mundo louco a que Naomi Klein chamou "vendido"! A charge acima, de mestre Maringoni, é só para ilustrar tudo isso. É para pensar, refletir. Apenas isso.