21 julho 2006

Poema de uma jovem jornalista

Patricia Luchi Pesce é jornalista e estudante de História. Durante bom tempo, enquanto se graduava em Comunicação Social, teve a energia milagrosa de comungar as duas formações. Agora segue adiante e está pertinho de obter o grau de bacharel em História (ou licenciada em História, uma opção só dela).

Talentosa, exigente consigo mesma, ética e humana, dona de uma escrita leve, escorreita e suave, Patrícia é desses nomes que, certamente, o futuro tanto insistirá em nos lembrar, nunca esquecer.

O poema abaixo foi escrito para mim, o que é, decerto, uma honra, já que a inspiração de Patrícia ainda encontra generosidade para partilhar sentimentos de bem-querer com os que lhe são próximos, fãs, seguidores apaixonados. Mais do que minha aluna, Patrícia foi exemplo de estudante fiel à ciência, ao saber, à literatura, ao prazer de ler, aprender e partilhar em tempos de fragmentação e ausência de sentido na chamada pós-modernidade... Ah, se eu tivesse dez, doze alunos como ela todo ano...

No anseio por viver
Patricia Luchi Pesce (6/5/06)


Pensam que não sofrem os outros
Mas aqueles não captam a dimensão
Esta é longínqua, é obscura
Somente entendida por quem anseia
Desbravada por poucos
Descoberta por dezenas

Quiseram os outros sentir pequeno
Achar pequeno, pensar pequeno
Sofrer de menos.
Quiseram eles a abstinência do mundo
Ignorância do lado que fede ao redor
Ausência de conhecimento para nenhuma reação

No entanto, bate forte
Machuca o peito, arde a alma
Estrangula a artéria, embaralha
Angustia, sentencia.
Será a morte? Será o novo?
Apenas a continuidade da descontinuidade.

Não entendem, não compreendem
Julgam mal, opinam contra
Minam sentimentos, desperdiçam atos
Que outrora aproveitados
Beleza e integração
Amor e elevação aos céus seriam

Esquecem, prometem, descumprem
E o que o coração pulsa é sólido
É vontade, é desejo, é sonho
Posições, inovações, criações
Malabarismos (a cama é uma tenda de circo, não?)
O mesmo tom, o mesmo semitom

Poderiam testar a vida
Compartilhar as sensações
Viver a última gota de suor
Transcender com as estrelas
Fazer delas todas cadentes
Mas o que o coração pulsa é sangue.