20 agosto 2006

Sobre ontem à noite...

Quando meus sonhos e meus próprios anseios por ser, viver e andar por aí me levavam a querer mais "Resíduo" - aqule belo poema de Drummond que insiste em nos ensinar que de tudo fica um pouco... -, descobri, ontem à noite, que terei uma parceria maravilhosa no novo e inadiável pacto de "explodir o mundo inteiro" e depois sorrir, sorrir... Terrorismo? Não. Apenas uma forma de dizer a todos que estou vivo. Mais do que nunca.
Bom, daí recorri - para variar - a Drummond; mas dessa vez fui buscar mais lirismo, ingredientes para a grande explosão de logo mais. Não seremos mais os mesmos, não é mesmo, sonho-que-persegui-e-agora-é-real?
As Sem-Razões do Amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade