12 outubro 2006

Mundos divergentes

por Marco A. Rossi
(em homenagem aos passeios românticos de certas manhãs)

Houve certo vazio
Frenesi, ansiedade, não sei bem
Olhei e percebi ter sido visto
O mundo caiu diante de meu delírio, seios, formas, cores

De soslaio vi pontes, construí estradas imaginárias
e pinguelas
e passagens
Vi então um novo mundo nascer - daquelas ruínas
daquele desabamento
daquele olhar discreto porém perfurante, cheio de expectativas

Palavras, sons, voltas e mais voltas
café
suco
vontade de fumar
extravasar
ousar
gozar

Escrevo alguma coisa - o tempo já é presente?!
Ouço uma canção
O corpo se agita, dá o tom
Me diz que devo partir - em direção ao Sol
Com grande escala pela Lua
e pelo luar
por um luau

Muitas impressões - o tempo já seria futuro?!
Nada certo, nada, nada em perspectiva
O mundo que caiu e o mundo novo que surgiu
se chocaram
se estilhaçaram
fraturaram minha consciência
Traumatismo reflexivo por tempo indeterminado
Ainda há tempo?!

Sigo, se não em frente, por vielas
uma de minhas pinguelas, estradas imaginárias
Interverto meu coração em estação
Adormeço
Amanheço tomado por beijos de minhas alucinações
Sou só sensações