20 dezembro 2006

Mais de 2000 visitas, uma odisséia na Terra...

Desde o início de 2006, quando prometeu um tom mais intimista em seus posts - algo diferente da postura teórica, biográfica e descritiva que o acompanhou em 2005 -, o "Espaço de Cultura Socialista" tem procurado reunir poesia, imagem e palavra proseada em sua defesa da história das idéias socialistas, de esquerda, humanistas. Agora, já a ultrapassar 2000 visitas, este blog se sente bem, ciente de estar a desempenhar bom papel, corroborando de fato a construção de um canto novo de debates e exposição de valores e juízos. Para 2007, mudanças também já estão planejadas.
Antes de mais nada, haverá mais espaço para poesias e fotografias, para as mídias que hoje julgo extremamente condinzentes com a realidade, com todas as tentativas de destrinchá-la, lançar-lhe olhar e palavra críticos, irredutíveis ao conformismo, ao situacionismo dos cínicos de plantão. Os textos, planejados em grande escala para o próximo ano, serão de contextualização histórica, de memória e de resenhas artísticas e culturais, focando CDs, livros, espetáculos e ocorrências da vida política, social e econômica no Brasil e em todo o mundo. Haverá, pois, menos espaço reservado a textos de outros veículos de comunicação.
Esteticamente as mudanças já estão no ar. O site está mais clean (fundo branco, textos mais "soltos", imagens escolhidas a dedo para contrabalancear idéias e intenções). Além dessas mudanças, toda a parte direita do blog será destinada a parceiros - decerto, não comerciais! -, frases, obras de arte e agenda de eventos e fenômenos da vida cultural.
Bom, neste final de ano, entre as festas de Natal e Ano Novo, o "Espaço" sofrerá alguns testes estéticos e, eventualmente, terá inseridos novos posts, muitos dos quais poderão ser temporários. Nesse ensejo, como blogueiro deste cybermundo tão especial a mim mesmo, desejo a todos os amigos e parceiros um final de ano receptivo a grande reflexões e planos para um 2007 mais bonito, humano, fraterno, cheio de possibilidades para todos nós. É isso.

17 dezembro 2006

Renovar para Conservar

por Marco A. Rossi

Tomos
Um que ficou longe, veio de longe, resolveu regressar
Outro no prelo
a sair já, já, daqui a pouco
Não há arrependimentos
dores, frustrações
Tão-somente o desejo
de voar, ir além, compor uma nova canção

De verso em verso
Na prosa que navega pelas palavras
umas minhas, outras de meus espelhos
sigo em frente, escrevendo, na contramão
contando histórias, narrando eventos
criticando, condenando o real
Propondo sublimações

Em cada olhar atento
a desatenção de minha alma anarquista
Com muito amor, desapego e ternura
propondo a primazia da contradição
Tenho dito sempre
Minha pátria é o mundo
Meu povo, a humanidade

Desatocaiei meus instintos
Hoje eles vivem soltos em sua prisão
no espaço e na prerrogativa de seus martírios
de minha dor
de todo o meu desalento
Sigo adiante, sem devaneios nem loucuras
Vivendo de pura, ousada imaginação

Imaginação, sim, sim
Que me faz poeta
Que me faz escritor, professor
homem das humanidades
Que me permite defender sempre a já tão sentida ausência...
Da ESPERANÇA

12 dezembro 2006

Dezoito Anos Sem Chico Mendes

Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes (1944 - 1988) - na foto com o filho Sandino -, líder sindical e seringueiro responsável por universalizar a questão amazônica, principalmente aquela que diz respeito à situação de espoliação e miséria dos povos da floresta setentrional brasileira. Ao anoitecer de 22 de dezembro de 1988, faltando poucos dias para o belo natal acreano, Chico foi covardemente assassinado, com tiros nas costas, "atocaiado" em sua cidade natal, Xapuri, no sudeste do Acre... A vida, a memória e as lições que Chico Mendes nos deixou, contudo, persistem vivas, intensas e suaves como sua fala, sua luta, o mundo que sonhou para todos nós.
Seringueiro


de Zé Geraldo, em homenagem a Chico Mendes (Álbum Viagens e Versos, 1989, Gravadora Eldorado)

Muita dóno pio da jaó
Bem-te-vi viu primeiro
Tratou de avisar o mundo inteiro
só não pode evitar
que um golpe traiçoeiro
derrubasse o mais forte seringueiro

Chora rio
desafoga cachoeira
Sai no bico da torneira
o choro de um coro
de curiós e juritis
acompanhando o canto da perdiz
Como era verde o meu País