20 fevereiro 2007

Mundos Convergentes

por Marco A. Rossi

Convergir para reunir, fazer um só,
lembrar pela manhã, escancarar a saudade à tarde,
querer dormir para sonhar de noite.

Convergir representa o encanto que deve enternecer,
dar água na boca, fazer tremer sem jeito as pernas, tudo.

Pouco bastam manhãs de vergonha, nada a dizer,
ausência da coragem, de seus anúncios necessários
tanto de ousadia quanto de desejo, fúria,
ritmo alucinante do penetrar o(a) desconhecido(a).

Mundos, para entrarem na sintonia da boa onda,
inexorável fonte da vida,
precisam de utopias acaloradas, perspectivas irmãs, solidárias,
esperança de um menino índio, de uma índia menina,
na fragilidade de seu semblante, no vigor de sua história,
de todo o seu sempre persistir/insistir.

Como no rosto que perscruta o distante,
o olhar deve lançar-se ao nada, mas nunca ao vazio, vazio d'alma,
do privatismo de quem se orgulha demais de seus tão poucos feitos,
irrisórios, invisíveis, do coração,
da infame solidão da vida humana num tempo de reino
da medíoce matéria da coisa, do coisado, do sempre tão coisificado.

Convergir sem ameaçar,
despertando só desejo, fantasia,
incontrolável vontade de romper barreiras,
enfrentar o dado, o óbvio, o pequeno-burguês de nossas entranhas.
Tornar mundos em força paralela e concatenada,
traçada, indissociável.
Se não pude sentir isso na estrela daquela manhã,
aguardarei então as luas vespertinas, os olhares da noite,
o vôo cego e lúcido do amor que engendra pontes,
dispondo pelo caminho fervorosas magias do amar,
do enlouquecer, do "explodir" a Terra.