11 maio 2007

Com Mestre Freire, "Here I Go Again"...

Cláudia Perotti, Extremo


As palavras de Mestre Paulo Freire, que me ensinou a lutar por sonhos improváveis e a trilhar trajetórias negadas, retomam o processo de realizar este blog, sonho antigo, abandonado por excesso de atividades profissionais e particulares nos últimos meses. A retomada, para além da inspiração fornecida generosamente pelas palavras de Mestre Freire, vem também de minha sublimação da imagem anos 60 dos óculos escuros, fácil sorriso e idealizada liberalidade de alma e atitude progressista, descompassada, que me atormentou por anos, fazendo-me crer num outro mundo possível para mim, "louco", transcendente, paralelo... Hoje sei que, se esse mundo "louco" tivesse existido em mim e para mim, tudo teria sido triste, decepcionante. Aos olhos negros de um futuro que nunca houve, ao sorriso fácil que nunca se aproximou e às epopéicas histórias de amor que, ainda bem, não se efetivaram... digo, pois, meu grande adeus. Enfim, com o "Espaço de Cultura Socialista" de volta à blogosfera e o sentido de minha vida disposto em seus devidos termos de alegria e reais possibilidades - que por serem reais são melhores, uma vez que efetivamente utópicas, amorosas - decreto, agora sim, minha LIBERDADE, ainda que tardiamente. Um mundo a conquistar já se assenhora de meus desejos... Um novo livro vem aí! E um novo blog também, é claro! É isso.

"A proclamada morte da História que significa, em última análise, a morte da utopia e do sonho, reforça, indiscutivelmente, os mecanismos de asfixia da liberdade. Daí que a briga pelo resgate do sentido da utopia de que a prática educativa humanizante não pode deixar de estar impreganada tenha de ser uma sua constante.

"Quanto mais me deixo seduzir pela aceitação da morte da Hitória tanto mais admito que a impossibilidade do amanhã diferente implica a eternidade do hoje neoliberal que aí está, e a permanência do hoje mata em mim a possibilidade de sonhar. Desproblematizando o tempo, a chamada morte da História decreta o imobilismo que nega o ser humano."

Paulo Freire. A pedagogia da Autonomia. Edição Paz e Terra, 2006. p.115