18 dezembro 2007

FELIZ NATAL e GRANDE 2008

A todos os freqüentadores do "Espaço" - e a pretexto de poder comemorar as iminentes 5000 visitas e a recente obtenção do SELO NOTA 10 de Direitos Humanos do DHNet - dedico essas breves notas sobre as origens históricas e culturais de alguns elementos-chave do Natal. Que o fim de ano revitalize a fé e a esperança num mundo melhor, que certamente terá início já em 2008, um ano fabuloso para todos nós


Apontamentos sobre as comemorações do Natal...

por Marco A. Rossi

Credita-se a origem do Natal às pesquisas realizadas pelo papa Júlio I, no século IV, a respeito da verdadeira data de nascimento de Jesus Cristo. No século V, a festa entrou oficialmente no calendário da Igreja e se propagou por todo o mundo.

Papai Noel, o “bom velhinho”, surge da lenda em torno do Bispo Nicolau, que distribuía presentes e era visto por todos, na Turquia, por volta de 280 d.C, como pessoa humana generosa e extremamente feliz, altruísta. Com o tempo, tendo tido ao seu nome vários milagres relacionados, a Igreja o canoniza, transformando-o em São Nicolau. Daí em diante configura-se rapidamente a figura folclórica do Papai Noel.

Em campanha publicitária da Coca-Cola, em 1881, Papai Noel ganha as cores oficiais do refrigerante (vermelho e branco) e roupas de inverno, estação que coincide, nos EUA, com a data das festas natalinas. Essa insígnia rapidamente se mundializou. (Ah, e é partir dessa colossal campanha de fixação da marca Coca-Cola que tem início o horrendo Natal comercial, que ultrapassa, destruindo, todos os sentidos originários da vida religiosa e da comunhão natalina.)

Da Alemanha vêm os primeiros indícios históricos sobre a origem da árvore de Natal. Consta que Lutero, por volta de 1530, ao passear pelos bosques, encantava-se com a beleza dos pinheiros e imaginava para eles grandes adornos, os quais poderiam tornar ainda mais belas aquelas paisagens de inverno. É da Alemanha, pois, que surgem para todo o planeta árvores-símbolo do Natal.

Os presépios estão diretamente ligados a São Francisco de Assis (século XIII), que amava os animais e neles viu a oportunidade de simbolizar, junto a Maria, José, os reis magos e o próprio menino Jesus, os caminhos da esperança e da magia contidas no espírito do Natal.

Quase romancista

por Marco A. Rossi

Venho imaginando como será meu primeiro romance há anos. Às vezes penso que trará novidades, irá revolucionar a literatura e o modo como as pessoas encaram a leitura e os livros. Outras vezes – e essas são mesmo a maioria delas – creio que eu nem chegue a escrever um livro de ficção, uma história que valha a pena, possa, no mínimo, emocionar as pessoas.

Insistir persistindo, contudo, tem sido o emblema de minha vida. Não me vejo nem me reconheço entregue a uma tristeza infinita, cachoeira de depressão e mal-estar. Prefiro sonhar com o “sucesso” literário, noites de autógrafo, bienais, encontros com gente bacana de cultura e arte, manhãs, tardes e madrugadas expressivamente produtivas.

Percebo-me realmente feliz e em plenitude quando me flagro namorando livros, ansioso à espera de um lançamento, de uma promessa editorial; relendo clássicos, fantasiando versões proibidas de cânones, referências eternas. Mas gostoso mesmo é roteirizar para o cinema os melhores livros de minha vida. Perco (ganho!) horas a fio a imaginar como seriam minhas leituras na tela da sétima arte. Já cheguei a escrever a continuação de Blade Runner e de Laranja Mecânica. Senti-me bem à beça, um gênio de todas as formas de arte.

Releio meus romances não-publicados, rejeitados por mim ou pela lei. Odeio-os hoje: não representam nada, não somam, não explicam. Começo a julgar justíssima sua condenação. Penso assim, entretanto, de modo romanesco, como crítico de uma obra que revela o menor de mim, o mais insignificante e absolutamente desinteressante.

Procuro e encontro também os velhos manuscritos de “Coração de Benjamin”. Bom enredo, personagens fabulosos, aporte histórico e geográfico provocador. E por que tudo isso não se transforma no aguardado primeiro romance? Bom, talvez porque nunca consiga dar-lhe continuidade, por também não saber o que fazer dos amores e desamores que inundam os manuscritos de toda uma vida. Debruço-me sobre esses poucos traços de antigas folhas de papel dezenas de vezes ao ano, e jamais pude levar a cabo as paixões de Amanda, a ética tão privatista de Gabriel, as conseqüências históricas da Revolução Fevereirista de 1959...

Nos últimos tempos, até para evitar saudosismos constrangedores e nada produtivos, ando escrevendo crônicas, contos, memórias, fragmentos de auto-análise, tudo para publicar em algumas revistas e, principalmente, em meu blog. Acredito que dessa forma eu alimente idéias e permita novas inspirações para o obsessivo e deslumbrado escritor que reside – intruso - em mim, n’alma. Essa é a chance para que a rejeitada ausência de meus romances que não vêm abandone de uma vez por todas o centro de meus desejos e minha disciplina literária. É isso.