23 março 2008

ENTREVISTA: Violência e Cidadania na TV Pitágoras

Imagem do Plenarinho, espaço da Câmara dos Deputados destinado à difusão dos valores de cidadania entre as crianças

O programa Entrelinhas, da TV PITÁGORAS, esteve no Campus Metropolitana, em Londrina, e entrevistou o professor e sociólogo Marco Rossi. O bate-papo com a jornalista Ana Tereza Arruda girou em torno de questões relacionadas com a violência urbana e o exercício da cidadania no complexo e tenso mundo contemporâneo.

A entrevista também destacou os trabalhos do sociólogo na coordenação do Núcleo de Estudos Sobre Violência e Cidadania (NEVC), órgão de apoio à pesquisa, à extensão e ao ensino no Curso de Psicologia do campus. O NEVC, que também conta com a coordenação dos professores Flávia Carvalhaes e Cláudio Costa, busca ampliar os horizontes da vida acadêmica, inserindo os alunos e toda a comunidade Pitágoras na vida comunitária, refletindo sobre os problemas e as possibilidades da sociedade londrinense como um todo.

O programa tem 30 minutos e é uma oportunidade para refletir sobre os complexos mundos da violência e da exclusão social, bem como fundar apostas nas saídas permitidas pelo desenvolvimento das práticas coletivas de cidadania, das quais o universo acadêmico é importante fundamento. O modo como as questões da violência e das construções cidadãs se enraizam em nossa cotidianidade, aliás, é dado integrante de nossas aspirações por um mundo realmemte livre e fraterno.

Assistam ao programa Entrelinhas e deixem no portal da TV Pitágoras a sua opinião e os seus comentários. O endereço da TV PItágoras na WEB é: http://www.tvpitagoras.com.br/

Um abraço fraterno...

Equipe de Comunicação
Blog "ESPAÇO DE CULTURA SOCIALISTA"

22 março 2008

DESPREZO

No finalzinho de 2007, escrevi o roteiro do curta-documentário "Desprezo", um trabalho experimental dos alunos do último ano de Jornalismo da Pitágoras, campus Metropolitana. Como docente responsável pela disciplina Cinema & Documentário, propus aos alunos uma tentativa de produção na linguagem documental, até para que pudessem fugir aos excessos da fala televisiva, da estética padronizada da TV comercial. Bom, o resultado acabou ficando muitíssimo a desejar, não obstante o fato de poucos dias atrás um dos membros da turma ter me entregado uma cópia com arte-final, melhor edição de interpostas e sonoras etc. De todo o modo, só o fato de o documentário (que possui um pouco mais de 20 minutos) conter depoimentos fantásticos de Paulão Rock'n'Roll e Dr. Ricardo Sahão, duas lendas do underground urbano londrinense, já vale o feito, apesar de todos os pesares. A experiência me revelou também que produção em cinema requer muita teorização e empenho, e não pode se fazer simplesmente por vontade, desejo de filmagem de temas e idéias. O cinema, como ensina Benjamin, é revolucionário e só pode ser efetivado por mentalidade e comportamento igualmente revolucionários. Abaixo reproduzo a redação que serviu de off, narrativa para o vídeo. A idéia central era destacar a solidão como o emblema por excelência do desprezo do homem pelo homem no mundo pós-moderno.

O desprezo é antes de mais nada indiferença, invisibilidade, preconceito, adoção de sentimento de superioridade, construção social de arquétipos que inferiorizam o outro, estereótipos que rebaixam o próximo, caricaturas que tornam indistintos e absolutamente indignos os seres humanos, em todas as suas dimensões.

Sugerem os bons dicionários que desprezo pode ser visto também como depreciação, desafeição, desamor, desapego, desapreço, descaso, desconsideração, desdém, desestima, desfavor, desinteresse, desrespeito, desvalorização... Numa palavra, contudo, o desprezo pode ser sintetizado: solidão.

A moderna etimologia da expressão desprezo se encontra muito próxima aos indivíduos de nosso tempo, sós, desamparados, a lidar exclusivamente com suas próprias inconsistências, insatisfações.

O desprezo, nesse sentido, é fonte de injustiças sociais, profissionais, econômicas, políticas, culturais. É algo que só pode existir e se disseminar por meio da cassação das vozes, do rompimento do olhar, do massacre contra os múltiplos sentidos do ser humano. Mais do que paladar, olfato, audição, tato e visão, cada ser humano é também abstração e discernimento. E o desprezo é exatamente o que nos impede de pensar, realizar, ser gente humana. Desprezo, portanto, é silêncio, ausência de coragem de encarar o outro como igual, irmão, parceiro. Desprezo é ódio ao mundo, ao amanhã.

Em meio a tantas práticas sem sentido de consumo e exploração de uma possível superioridade diante dos outros seres vivos e da própria natureza, o homem opta por desprezar por inconseqüência ou por medo. Inconseqüência por não saber quem de fato é: uma simples mônada, um boneco num imenso jogo de marionetes; medo por não se sustentar, ter horror a perder o que tem, ter de partilhar, estender a mão a quem quer que seja. O desprezo é também amor aos refugos e refúgios, às cavernas, ao convívio solipsista com o nada.

O desprezo, no auge de suas facetas de desumanização e produção da alienação social, é, acima de tudo, um meio sempre renovado de acirrar conflitos, alimentar a fome, enriquecer a miséria, proteger a violência, preservar a destruição da Terra e do Homem, seu incauto habitante, portador de ingenuidade, crença inglória no amanhã pelas mãos de seu semelhante.

Desprezo, para não esquecer do vazio do indivíduo pós-moderno, é consumo para pura ostentação, é aplauso à espetacularização, é viva à irrelevância da política... que gela almas, aquece ganâncias, oprime consciências, desnuda corpos, vidas e sonhos.

O desprezo, então – na imagem refletida do espelho de cada um de nós na face iluminada ou de trevas do mundo -, é padronização das formas e domesticação dos conteúdos; é a produção do mais-do-mesmo; é a vitória da distorção ideológica da realidade...

... fetiche...
... inversão...
... ocultação...
... desprezo, enfim!

À espera


O bem, por ser mas comportado e previsível
é sempre a recomendação do coração
O corpo que aguarda
a mente que se tranqüiliza
a vida que quer seguir
Coração. Bem. Espera. Desejo de paz

O mal, confuso, armado, imponderado
nunca ganha corpo nas expectativas
nunca é visto por grandeza
evidência
inevitabilidade
O mal, arbitrário, externo
faz chorar o horizonte, sem luz, até o fim da estrada
Sonhos. Mal. Dor. De medo

Entre o bem e o mal (fronteiras?)
o coração é o mal dos meus medos
Ouso rechear de brilho meus sonhos
de tranqüilidade minhas paisagens diárias
de paz as guerras que vivo vivendo na vida
vencendo, reunindo meus destroços
compondo meus desestímulos estimulantes
Orquestra. Depois do amanhã

21 março 2008

Suave é o corpo

Seguindo recomendação de um médico amigo (explicitamente persuasiva e eficaz), resolvi antecipar a retomada do blog, prometida só para o próximo mês de abril. Quando ouvi o bom doutor afirmar que a primeira grande lição de qualidade de vida deve ser a elevação a qualquer custo da auto-estima, decidi mesmo voltar a escrever, fazer aquilo de que mais gosto: burilar idéias, semear letras, contemplar o nascimento de minhas próprias palavras... Espero que a dica seja boa, até porque já estou me sentindo ótimo, pronto para todas as que ainda virão.

Fotografia de A. Brito, 14.02.2008 (www.olhares.com)

Compus para a edição de verão da Revista ESTAÇÃO, a de número três, uma crônica sobre o corpo, ensejando o conjunto possível de sensações que podem ser despertadas pela suavidade das formas femininas. Mais do que uma homenagem ao brilho vivo de todas as mulheres, "Suave é o corpo", a crônica, rende aplausos à paixão amorosa, esse sentimento plenipotenciário e sublime que torna cada um de nós, humanos, um ser possível. Abaixo a íntegra do texto publicado na bela ESTAÇÃO.
A suavidade, vaticinam poetas românticos de quase todas as tendências, é salvação, encanto, vontade de viver, espera tranqüila pelo amanhã. Doçura, toques sutis, falas mansas, textos que despertam prazer, músicas que alteram – elevando – sentidos, controle e explosão de ansiedades: o corpo em síntese.

O corpo é a expressão mais radical do suave, de tudo que se possa perceber deslizar, flanar, voar. É em si mesmo calor e frio, fogueira e gelo, pulsão de vida, medo da morte, verso de amor, crise de ódio: portal do incontido.

A manifestação das tendas e dos segredos da corporeidade humana é divina, anjo louco, mensageira do prazer. O corpo é pluridisciplinar. É matemática, soma, divide, equaliza, comporta formas sofisticadíssimas. É arte, estrondosa intensidade, peso musical, sonoridade de todos os sentidos, freio, aceleração, cor, curva, expressão do impressionante, tensão, sufocamento, faz querer-se mais, muito mais. O corpo é acima de tudo filosofia em estado bruto, inspiração, sedução, transpiração, o não-ser que se torna, realiza sua humanidade na transcendência de todos os delírios. O corpo deve ser sempre – e de alguma maneira – pura perdição.

Tocar, degustar, cheiras, ver, ouvir... o corpo, na reunião dialética de todas as sensações, é transtorno, fome, volúpia, batuque, sussurro, movimento; sua essência é alegórica, prática de ausências, dor da evidência de sua falta, de sua chegada às vezes tardia, no brilho já obtuso da juventude que nos escorre pelas mãos...

Nesses termos, de claridade e trevas, do paradoxo que se reproduz no peito, a suavidade que define o corpo é plena de irracionalidade, exige entrega sem questões e questões sem fundamento. O corpo só se faz em sua ontologia e determinação de si, em si, para si, na agressiva pluma de seus observadores, sedentos, apaixonados, enlouquecidos pela idéia de suavidade.

O corpo e todos os seus apelos de magia só se desgastam, só aniquilam sua terna fragilidade e todo o mistério de suas formas inexplicáveis de atração e desvario, quando são transformados em mercadoria, peças de vitrine, objetos de ganho, gasto, ostentação, misérias d’alma. Para que o corpo se efetive como o mito dos mitos e o segredo de todos os sentidos (humanos e inumanos), ele precisa ser incorpóreo, tenaz e contraditoriamente. O corpo, por não ser objeto de leilão, por não poder mensurar a loucura que é capaz de suscitar, é fantasia, vive n’alma: é estesia, puro êxtase.

Cicatrizar feridas, enterrar tristezas, aproximar corações, brindar e embelezar estações, todas essas prerrogativas do corpo, que permitem ser, ver, viver, sonhar na inquietude das almas desertas, do saber frágil, do cérebro que desdenha de si mesmo, miscigenam o perder-se, o refugiar-se, o exilar-se. O corpo é, pois, componente da autocrítica: quer o amor, mas não o quer só: deseja-o ao lado do profano, da libido, da presença pujante do humano limite da inefável paixão.

Arrepio e delicadeza; poesia e prosa; amor e paixão; palavra e imagem; ser e sonhar; inverno e verão... o corpo é mediação de todas as contradições, ponte, travessia. O corpo, plataforma de prazeres e delírios, são as férias de toda a vida. Nada de obrigações. Só deleite. Pedaço do céu, do mar, da terra.

11 março 2008

MUDANÇAS e ESPERAS...

The Abduction, 1867, de Cézanne
Recomeçar para fazer melhor. Parar para seduzir mais. Refletir para crescer. Significar novos emblemas, simbolizar novos paradigmas, motivos para manter a história e desenhar uma tradição de coerência e coragem

Por motivos de ordem técnica (reconfiguração dos mecanismos de funcionamento e atualização do "Espaço"), de recuperação da boa saúde (cuidados, enfim, com a qualidade de vida, o bem-estar familiar e o desejo de viver mais o futuro) e de organizar bem a existência para elevar a auto-estima e redefinir os parâmetros da vida produtiva e intelectual, o "Espaço de Cultura Socialista" estará "fora do ar" (sem novas inserções) até abril, quando todas as anistias já me tiverem sido declaradas, permitidas. Sei que posso contar com o carinho das 6.000 visitas de até agora e dos quase 50 internautas que freqüentam este blog todos os dias. Mês que vem está aí. OBRIGADO!