09 agosto 2008

Breve idéia num quase-domingo...

Nenhum personagem histórico me representa mais a reflexão e o vislumbrar o amanhã do que Lenine, lider revolucionário russo, autor do imprescindível "Que fazer?". Em todas as minhas divagações, regressões, paralisações diante do mundo e suas tão chatas circunferências, Lenine é auto-retrato, minha eterna tentativa de forjar um modelo, algo de mim de que possa efetivamente me orgulhar. Lenine é parceiro espiritual de todas as minhas madrugadas, quando, em sonho ou diante da tela do computador, sempre me pergunto: "Que fazer?"

A felicidade, se antes me parecia estado imaginário, agora saboreia minhas certezas no campo do simbólico, com duas travessas, duas imensas pontes ligando algum lugar à caverna do desconhecido. Escrevo, escrevo, escrevo, traço painéis, redesenho minha própria existência. Sinceramente não sei aonde tantas letras poderão me levar. Volto e reencontro, em retorno e novas idas, uma nova introdução à filosofia de Marx. Relaxo por instantes nas tirinhas do velho Wood, leio duas revistas, em movimento, parado. Vejo a vida pela janela e levo muito a sério o gueto de Wacquant. Muito a sério mesmo. Estou escrevendo sobre o Barão de Itararé, sobre a favela Leste-Oeste, sobre a cor do mundo (da lua, quer dizer...), flicts. São três novos posts para este "Espaço". Tomara que ao longo da semana ao menos um venha à luz. Sinto cansaço, penso em ir para a cama, mas tenho medo de meus pesadelos. Imagens insistentes vêm atormentar minhas voluntárias longas - talvez eternas! - férias do prazer. Quero regozijar-me só diante da palavra, e da imagem, e da produção de um novo tanto de mim. Enfim, em mim, para mim. Emancipação.

Feliz dia dos pais, Marco. Em João Gabriel, encontrei de fato todo o meu tesouro!