26 setembro 2008

Palavra em trilhos


"A Porta", fotografia de Simão Pereira de Magalhães
Voltar a escrever, crônicas, contos, artigos sociológicos, imagens cinematográficas em meu varal literário. Com a palavra escrita, filmo clássicos como se fossem inéditos, originais. Fotografo a própria corrida do tempo. Conduzo-me na estrada de tudo que vi, fiz, pensei, amei. Meu transporte, minha letra vida; meu itinerário, o caminho que leva a grandes obras, fantásticos autores, atores do mundo, sujeitos de tudo. Reinvento a linguagem da sétima arte e consagro a Sociologia como a maior de todas as ciências, a prática do profissional sociólogo. Rendendo homenagens eternas a Florestan, o menino Vicente que virou patrono, rei.

Driblar dificuldades, enfrentar muros de aço: escrever, para mim, tem sido a batalha de todas as guerras; tem sido, para qualquer lado que se possa vislumbrar, o desejo intenso, o martírio pleno. Amar a palavra, cultuar as idéias, saboreá-las, uma a uma, encontrar nisso tudo um pouco de mim mesmo, da minha alma que clama o texto, a dedicação disciplinada, o ardor de ver um mundo de cores e baús, novo, mais meu do que tudo. Uma questão mágica. A palavra seduz todas as minhas táticas de sedução. Escrever, arquétipo da felicidade, síntese da realização pessoal, profissional, humana. Bom, por ser da paz, amante da revolução, não sou guerreiro, não. Sou, sim, na imensidão dessa expressão, guerrilheiro, tal qual Ernesto, cheio de vontade de mudar o mundo. Minha ficção, enfim.
Não esquecer nunca jamais o sentido que a palavra escrita proporcionou a minha vida. Não obstante o tamanho vazio de sua ausência nos últimos tempos, a palavra desenhada em papel, telas virtuais, mais do que sentido, reúne conexões de sentido em mim, em minha cabeça. É como se ela pudesse tecer, alinhavando, a história do que fui, a certeza do que sou, o sonho do que serei. E, seja o que for, serei um militante da palavra, da paz e da senda literária, transcendente. Voltei. É isso.