14 outubro 2008

Desconcertos

(para C. B. G.)

Palavras dispersas
promessas entreatos
teatro, puro drama, tramas envolventes
discórdia
desejo
crise, mais crise

Sinto o pulsar de minha materialidade
alguma coisa dizendo não! chega! coragem rapaz!
É como se tudo fosse ainda mais, em tudo, em você
no nada tão vasto de minha inonsciência

Tolerância, suporto-me demais
aceitando ilimites
convivendo com irrazões
abismos
coração trincado, mergulhado na dor
seu corpo me aponta saídas: flores, explosões

Corro sobre o mar, o campo, o céu
imaginação, explosão de delírios
mãos, pêlos, leves tocares, pétalas, fotogramas de suas curvas
estradas sem fim
quase uma flutuar
acompanhdo de sorriso torturante
paralisante, intrigante, irreal na tessitura de sua realidade

Medo, medo, medo
da chuva, do sol, do amor
de imaginar dar certo, de vislumbrar qualquer erro
mais um, coleção.

Na poltrona de meus sonhos
recrio meus pesadelos rock'n'roll
heavy metal quando madrugadas choro
desenhando salivas, odores, loucuras

Potencializo a imaginação e acendo um cigarro
prazer perdido
tenso alívio nunca-mais-imediato
distante
inebriante, desnudo

Acendo a luz, encho um copo
água, lágrima, suor
amanhecendo no peito
na raça
no novo dia depois de ontem
tal qual o depois de amanhã
sem você
com você
comigo mesmo
nós dois virtuais
reais no cheiro que ouso sentir, profundidade do proibido
insólita calmaria trepidante

Ouço pranto
meu coração
ensandecido
clama por meus delírios
fecho os olhos
volto ao mundo encantado
de suas mãos
de suas pernas
de seus olhos
overdose que salva
mácula que transparece o mundo
vida que se faz vida

Vemo-nos então mais tarde
cada qual em sua prisão
na liberdade de nossos labirintos
dois mundos
talvez até mais