11 outubro 2008

Marxismo e Psicanálise: leituras socialistas da civilização freudiana

"Don't Cry", fotografia de José Ferreira

Apresentei, no último dia 03.10, na programação do "I Encontro Científico de Psicologia da Faculdade Pitágoras", na unidade de Londrina, Paraná, uma conferência sobre os descompassos e os rios de convergência entre o marxismo e a psicanálise. Apoiado principalmente nos escritos carcerários de Antonio Gramsci e nos chamados "textos sociológicos" do Dr. Freud, procurei estabelecer alguns diálogos possíveis entre essas distintas maneiras de interpretar o homem, a história e a ciência. Não obstante as léguas que separam as tradições legadas por Marx e Freud, penso que a noção de conflito possa torná-los "parceiros" na formação cultural e intelectual dos jovens e dos militantes da vida, dos desejosos por transformar o mundo. Reunidos por mim num esforço de provocar proximidades entre as categorias de inconsciente (produto freudiano) e ideologia (herança marxista), os textos de Marx e da tradição das idéias socialistas no século XX podem, mergulhados na concepção freudiana de civilização, reinterpretar a história e examinar nova e detidamente o sujeito do mundo, conferindo-lhe papel ainda mais determinante no combate à fragmentária dimensão do tempo e do espaço na carnívora realidade cultural pós-moderna. Nesse sentido, imagino que haja no texto de minha apresentação - integralmente publicado logo mais abaixo - algum estímulo a idéias que possam se reconhecer como diferentes e, por isso mesmo, prósperas em mútua colaboração. É o que realmente desejo ter partilhado com a platéia generosa e atenta que esteve a me ver e ouvir naquela bela manhã.
O indivíduo é a cultura escrita em letras minúsculas.
A cultura é o indivíduo escrito em letras maiúsculas.
Platão
Superar e sublimar as paixões destrutivas do ser humano: parece ser esse o grande encontro entre o marxismo e a psicanálise. Uma aproximação que se faz possível por meio de caracterizações comuns nessas duas concepções do homem, nessas duas leituras da história, nessas duas perspectivas do olhar crítico, da metodologia interpretativa das relações humanas em sociedade.

Como agente da história e ator do mundo, o homem é, tanto no marxismo quanto na psicanálise, o epicentro de toda discussão. No caso do pensamento marxista (em relação ao qual me sinto um pouco mais à vontade, um pouco por formação, um pouco mais por convicção), os princípios estruturantes de um humanismo radical, de um historicismo absoluto e de uma razão dialética intransigente permitem à psicanálise inflexões sobre sua forma de ver o mundo, ora reiterando perspectivas e ampliando aspectos, ora exigindo separar o joio da jóia, aquilo que está no campo das ciências sociais daquilo que dinamiza e compõe a cosmovisão científica a partir de análises superlativamente subjetivas (marca maior das intervenções psicanalíticas sobre a condição humana).

Para Sigmund Freud (1856 – 1939), todo indivíduo é necessariamente um ser arredio, antissocial. Para a psicanálise, portanto, viver em grupo, compor o universo das cidades, tecer as redes da civilização, tudo isso produz aborrecimentos, impõe limites, torna desinteressante a própria existência. Há, pois, na visão ontogênica do homem pela psicanálise, um mal-estar no conviver, uma animalidade natural do próprio ser, uma permanente indisposição à partilha, ao reconhecimento da igualdade do outro.

A aceitação humana da civilização (numa clara analogia ao naturalismo hobbesiano, em que a garantia da segurança exige a entrega da liberdade individual ao Estado) se dá pelo fato de que a base daquilo que compõe o ser na psicanálise, o devorar do princípio do prazer, precisa efetivamente ser contida, controlada, sob pena de extinção da espécie humana, de uma nova lei de evolução e sobrevivência das espécies. Para o autor de “O futuro de uma ilusão”, portanto, viver em sociedade e aceitar os limites impostos pela civilização representam, para o homem, uma verdadeira necessidade desalentadora, um suspiro frágil, mas um suspiro que lhe permite a vida, a possibilidade de encontrar prazer e satisfação em alguma medida, ainda que sempre deficitária, atenuada pelas exigências sociais da partilha. Contra a pulsão - essa força que move em direção a prazeres quase sempre inenarráveis e impublicáveis - o meio contém ímpetos, o coletivo anula o individual, as sanções prescrevem as liberações tão desejadas, acalantadas de cada um dos seres humanos. Numa palavra, a civilização, ao conter os ânimos sempre acalorados das pulsões, busca evitar o conflito, a anulação do indivíduo mais fraco e desprotegido pelo movimento, segundo leitura freudiana, sempre bizonho e desprovido de razão das massas.

Ao buscar a satisfação de suas necessidades e desejos, o homem se depara permanentemente com os desafios da natureza, como as aberrações climáticas e atmosféricas, os abalos sísmicos, a escassez de alimentos e os recursos hídricos. Em face dessa pequenez diante do “mundo”, o homem, ao se reunir com seus semelhantes, diminui a força bruta de tanta imponderabilidade. Nesse sentido, há um claro paradoxo em Freud no que diz respeito à vida em sociedade: ao mesmo tempo que limita e atrofia as vontades naturais, a vida em sociedade permite atravessar, com maiores chances de evitar tragédias, a própria experiência de viver em grupo, no “mundo”. Seria insuperável essa contradição da noção de homem na psicanálise?!

É provável que a contradição freudiana se explique na indistinção que o autor de “Mal-estar na civilização” promove entre indivíduo e sociedade. Renato Mezan (1990) já havia observado que não há em Freud nenhuma alusão às especificidades da vida social. Para o psicanalista da Morávia, a diferença entre indivíduo e sociedade é, na maior das contas, metodológica, pura e simplesmente. A sociedade, nesses termos, é uma realidade empírica, um mero espaço no qual os indivíduos definem e consagram suas projeções psíquicas, suas subjetivações sobre o real. Como o que está em questão para a psicanálise é a sobrevivência do indivíduo mergulhado na multidão, essas projeções psíquicas nada mais seriam do que tentativas sucessivas de encontrar prazer no limite, passagens nas fronteiras da castradora ordem civilizatória. Problema é que, do modo como a coisa se apresenta na obra do pai da psicanálise, a civilização seria um dado a-histórico, uma construção sem origem, sem traços de realização humana. É como se ela sempre estivesse aí, como um fenômeno natural.

Se as satisfações nunca podem ser plenas num ser castrado pelo emblema civilizatório, qual seria o verdadeiro elemento constituidor desse reiterado mal-estar? Se a base instintiva do homem está aprisionada, para onde dirigir tanta potência, tanta energia natural represada? Talvez na tentativa de dar resposta (estímulos atenuantes ao menos) a essas indagações surjam indicativos das reais aproximações entre as concepções marxista e psicanalítica do ser, da história, do movimento da vida.

Parece sedutora a idéia segundo a qual a força de criação/inovação do homem pode sofrer desvios e desníveis favoráveis à continuidade da vida humana no planeta. As grandes artes, os belos projetos arquitetônicos, a surpreendente revolução tecnológica, a pujança de tantos valores culturais demonstram, numa ótica subjetiva, que o homem reinventa a si mesmo permanentemente, mesmo em circunstâncias adversas, repressoras. Tudo isso, contudo, não é razão, consciência. Ao contrário: trata-se de pura irracionalidade, agressividade deslocada, impedimento daquilo que dá sabor e tom à civilização, ou seja, a frustração que regra, condiciona, molda, assujeita. Em síntese, para Freud, no limite do humano, a irracionalidade é o ponto morto da história, o equilíbrio que impede a destruição, mútua e progressiva. Não há consciência. Há, mais tardar, intervalos frágeis de sensações, algumas desconfianças quanto à nossa animalidade aniquiladora; há, definitivamente, uma força autoprotetora impetrada pela própria natureza. Isso mantém o homem vivo.

A consciência, com seu caráter inconcluso e delicado, com sua eterna dependência do que existe antes do tempo presente e se faz longe de toda a percepção humana diante do real, é também, no marxismo, peça-chave para o entendimento de sua episteme. Não há precedência da consciência, não há autonomia do pensamento, não há comportamento que se possa atribuir exclusivamente ao agente da ação, ao enunciador da fala. Tudo que se pensa e se faz é determinado longínquamente, imemorialmente, em muitos casos. É como se fosse possível afirmar - e é! – que toda decisão tomada hoje já foi discutida três mil anos atrás. Alguma coisa se espraia sob os pés do homem em sociedade. Algo conduz a existência humana na civilização. E isso não é obra autônoma de sujeitos livres e conscientes.

Renato Janine Ribeiro (2008) afirma que ... vivemos dramas, sofremos, acusamos, defendemos; mas, abaixo disso, sem que tenhamos consciência, pulsa o inconsciente. Assim como em Freud há uma insistente condenação, por parte dos preceitos da civilização, de nossos desejos sexuais, em Marx, também como força repressora e dissimuladora, existe uma clara determinação do econômico, do poder conferido pela posse do capital, sobre todas as outras instâncias da vida social. Cultura, política, idéias, tudo estaria, de um modo ou de outro, condenado a pedir licença ao poder econômico, sob pena de não poder existir ou, pior, existir sem ser visto, desqualificadoramente. Economia e sexualidade, um em cada ponta, aproximam e, de modo sempre dialético, separam marxismo e psicanálise. A consciência, nesses temos, é precedida, na psicanálise, pelo inconsciente; no marxismo, pelas várias formas de dominação e distorção ideológicas.

Está em Antonio Gramsci (1891 – 1937), um dos mais importantes pensadores marxistas do século XX, uma conclusiva nota do papel do “velho” (o inconsciente ou a ideologia) sobre o “novo” (a tentativa permanente de a consciência se emancipar). Nas palavras de Erasmo Miessa Ruiz (1998), interpretando reflexões gramscianas, pode-se verificar...

Ao nascermos somos expostos a uma série de circunstâncias. Adquirimos uma linguagem que é fruto de milênios de evolução, aprendemos comportamentos decorrentes do processo de construção histórico. O gesto de empunhar um lápis, amarrar um sapato ou ir a um culto religioso esconde uma grande complexidade. Para que cada gesto humano pudesse ser consolidado como prática social, foi necessário o sacrifício de gerações inteiras, a contribuição diuturna de milhões de homens “invisíveis” num processo educacional vasto e inconsciente para a maioria dos indivíduos. Por não serem de forma alguma naturais, no sentido biológico, os comportamentos necessários à sobrevivência do homem em sociedade têm de ser reproduzidos-aperfeiçoados-criados cotidianamente pela vida social com base num legado que vai dos homens das cavernas, passa pelas batalhas de Júlio César e atinge a mídia digitalizada. Um legado vivo em cada instrumento de trabalho, em cada signo, em cada obra de arte ou mesmo num “singelo” aperto de mão. Nascemos velhos: os gestos das gerações que nos precederam estão colocados tanto no modo como um bebê é cuidado pelos pais quanto em todos os suportes sociais que dão sustentação ao ato de cuidar. É nesse sentido que o homem não escolhe as relações sociais das quais participa, embora as construa/reconstrua cotidianamente. É nesse processo de construção/reconstrução que os homens estabelecem as possibilidades do exercício de maior ou menor liberdade na medida em que tomam consciência dos reais determinantes das necessidades históricas que lhes são impostas (p. 09).

Antonio Gramsci, autor dos decisivos “Cadernos do Cárcere” e de centenas de escritos jornalísticos militantes na Itália do anos 1910, 1920 e 1930, nessa bela passagem de Ruiz, aparece, tal qual Freud, como um sujeito que se fez num ambiente de guerras e veemente ascensão do nazifascismo. Diferentemente do autor de “Totem e tabu”, entretanto, tomou partido pelas massas e combateu contradições às vezes pequeno-burguesas que limitavam o pensamento social naquele período da história européia. Freud, que relatou tudo que viu com genialidade e espírito combativo contra o horror totalitário, esqueceu-se, no entanto, da história, do devido crédito das contradições que se constituem na própria vida coletiva, e ofertou destaque à dimensão intrapsíquica do homem, condecorando o tempo com o congelamento e a história com a inércia. A ojeriza que o psicanalista tcheco nutria pelas massas era inversamente proporcional à esperança que ele depositava nas “mentes brilhantes”, nos homens de insight de seu tempo, sofisticados e inteligentes, portadores de um futuro em que a irracionalidade inevitável venceria enfim a agressividade instintiva das massas, deseducadas e nada afeitas a lançar mão de seus desejos em nome do bem-estar coletivo. Freud afirmava, portanto, segundo Mezan (1990), que a sobrevivência da humanidade estaria no sacrifício generoso dessas pessoas especiais, dispostas a conduzir a turba pelos caminhos do desapego e do despojo em relação à sua animalidade vulcânica. Resumo da ópera: a besta-fera que reside em todos só poderia ser vencida pela besta-fera daqueles que se distanciam das massas para ensinar-lhes o caminho do jejum em relação às suas pulsões.

O divórcio entre objetividade e subjetividade, história e ação humana, passado e presente, torna a psicanálise, sob a ótica do pensamento marxista de Gramsci (que, frise-se, admirava profundamente as esteiras da psicanálise), um instrumento de absolutização de um inconsciente atemporal, supra-real. Ao contrário, para Gramsci, o inconsciente é também – e sobretudo! - histórico, fabricado no tempo, com nítidas colorações econômicas, políticas, de classe, enfim. A absolutização da psique, da vida subjetiva, nubla o olhar da psicanálise para as contradições sociais engendradas na luta política, no movimento das coletividades na busca por recriar o mundo, mudar a história.

Condenados ao trabalho e à disciplina em nome da ordem, os indivíduos pertencentes às massas são vistos por utopias diferentes no marxismo e na psicanálise. Enquanto na utopia freudiana a entrega às paixões era o maior obstáculo das coletividades no enfrentamento do mal-estar civilizacional, as coletividades na tradição marxista deveriam dar vazão às suas paixões... revolucionárias. A única forma de conter a artificialidade da civilização era promover a paixão inquieta, elevar ao grau máximo o desejo ético por dar ao homem o controle de seu próprio destino, retirando-o da ontogênese fatalista da subjetividade inapta e conduzindo-o a uma filogênese de esperanças, alternativas. Numa palavra, a coletividade em Freud destrói a utopia dos iluminados; a utopia marxista destrói a civilização burguesa e, com ela, a idéia de que existam sujeitos iluminados. Entram em cena, enfim, personagens capazes de humanizar a si mesmos e as relações que empreendem na dialética do real, entre a objetividade que se impõe e a subjetividade que não se rende, posto que necessita recriar o universo social das relações humanas, descoisificando o sujeito e abrindo horizontes para a história, esta sempre viva.

Paradoxalmente, levando-se em conta a incômoda atemporalidade do inconsciente e certa naturalização da vida burguesa presentes na cosmogonia da piscanálise, Freud via no capitalismo razões pelas quais tanta frustração e tanta revolta pudessem de fato perfazer a vida dos trabalhadores. Escreve, em “O futuro de uma ilusão”...

Se nos voltarmos para as restrições que só se aplicam a certas classes da sociedade, encontramos um estado de coisas que é flagrante e que sempre foi conhecido. É de esperar que essas classes subprivilegiadas invejem os privilégios dos favorecidos e façam tudo que podem para se liberarem de seu próprio excesso de privação. Onde isso não for possível, uma permanente parcela de descontentamento persistirá dentro da cultura interessada, o que pode conduzir a perigosas revoltas. Se, porém, uma cultura não foi além do ponto em que a satisfação de uma parte de seus participantes depende da opressão da outra parte, parte esta talvez maior – e este é o caso em todas as culturas atuais -, é compreensível que as pessoas assim oprimidas desenvolvam uma intensa hostilidade para com uma cultura cuja existência elas tornam possível pelo seu trabalho, mas de cuja riqueza não possuem mais do que uma cota mínima [...] Não é preciso dizer que uma civilização que deixa insatisfeito um número tão grande de seus participantes e os impulsiona à revolta não tem nem merece a perspectiva de uma existência duradoura (p.23).

A privação do prazer, nesse caso, justifica todas as medidas, até mesmo as liberadas por uma paixão de inquietude revolucionária. Contra a bárbárie iminente e uma vida que impede o prazer e a realização plena do ser, a dignidade em si, o autor de “A interpretação dos sonhos” torna-se atraente ao pensamento marxista, convidativo.

Nesse sentido, o marxismo e a psicanálise convergem na crença de que idealismos puros, sem pautas no mundo dos homens, devam ser superados por detida análise das condições materiais da vida social; irmanam-se na constatação do conflito (ainda que na psicanálise, como já frisado, exista certa crença de beatificação desse fenômeno, que é político, na visão marxista). Em Freud, portanto, a dialética dos jogos pulsionais move o mundo; em Marx, a luta de classes colore a história e permite, inclusive, o desabrochar dos embates entre pulsões humanas, aprisionadas por inconcientes e ideologias de toda a sorte. Reconhecido o inconsciente (fator que libera parte da consciência) e travada a luta pela superação do capital (elemento dissolvente das ideologias de naturalização das desigualdades sociais), os pontos de convergência entre o pensamento de Freud e da tradição das idéias socialistas se tornam mais nítidos, saltitantes: 1) há opressões de toda a ordem que impedem a liberdade, seja na repressão à sexualidade, seja na distribuição predatória da riqueza socialmente produzida; 2) a moral social é um artifício de exploração, um estopim de levantes, uma crueldade contra as maiorias numéricas e as minorias sociológicas; 3) a civilização represa potencialidades criativas, sufoca individualidades e potencializa a violência e o terror contra as classes subalternizadas; 4) na psicanálise e no marxismo (sobretudo no marxismo de Antonio Gramsci), a civilização são normas e sanções que dificultam a vida humana, o pleno desabrochar daquilo que deveria ser o melhor para as vidas humanas...

Em termos muito concretos, é possível constatar que, nas aproximações entre a psicanálise e a história das idéias marxistas, a CULTURA, entendida como artifício instrumental da civilização, opõe-se à animalidade. Em Freud, contudo, isso é necessário para conter ânimos destrutivos. Em Marx, de outro modo, a CULTURA pode servir aos interesses da coletividade, desde que essa coletividade seja capaz de provocar em sua constituição um sentido mais universal, além das divisões de classe e de atividades típicas do individulismo burguês, das chamadas sociedades de livre mercado. Nesses termos, no marxismo, a CULTURA e a história são parceiras na determinação do homem e de suas andanças, para o bem ou para o mal, a depender do nível e da qualidade de sua organização coletiva, seu nível de consciência acerca dos inconscientes e das ideologias que o bloqueiam. Já na psicanálise a agressividade e a animalidade compõem a natureza humana e determinam toda a ação no processo civilizatório, que pode culminar em sua fortaleza ou em sua virtual destruição. Que nesse caso, no caso da civilização capitalista (que o saudoso, lúcido e embriagado Hélio Pellegrino denominou “mundo sem amor”), as paixões sejam destrutivas, inquietas, pulsantes. É isso.

Referências Bibliográficas:

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FREUD, Sugmund. Mal-estar na civilização/O futuro de uma ilusão. Rio de Janiero: Imago, 2007.
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MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo Editorial, 2006.
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