26 dezembro 2008

Crises correm ao vento...

"Feliz, quem sabe, o vento...", fotografia de J. Pedro Martins

Estranho-me toda vez que deixo meu blog de lado, tomado por outras tarefas ou até mesmo por dificuldades para pautar a escrita, os temas, a prioridade de eventos em minha vida - e no mundo imenso da cultura socialista, é claro. De todo o modo, tive realmente pouco tempo bom (e para escrever por aqui quero o melhor de meus dias e noites, e não apenas o que resta deles), pouca atmosfera literária, poética, acadêmica, para me dedicar com amor e desprendimento ao "Espaço" nas últimas semanas.

2008 foi um ano tenso, repleto de crises e momentos de incerteza na política, na economia, nos cenários locais e globais. Para completar a falta de delicadeza desses tempos de tantas mesmices e sandices, tive de viver mais uma das misérias do livre mercado na instituição de ensino que ESCOLHI para trabalhar. Anos e anos vestindo camisa, defendendo um valor, abastecendo certa cultura e... BOOM! As leis do neoliberalismo tosco se apresentam e expõem o que têm de melhor: uma profunda aversão a tudo que cheire igualdade, justiça, liberdade...

Sacudida a poeira, dada a volta por cima (torcendo para que o o clima acadêmico se restabeleça minimamente para que meu trabalho possa se realizar sem maiores transtornos), o bom é saber que um novo ano está para chegar: novo tempo, projetos refeitos, ilusões desfeitas... Como em toda crise, o de esperar é que de tudo vingue uma nova concepção de vida e de mundo. E eu estou desconfiado de verdade que tudo o que ocorreu em 2008 me será (se já não é) muitíssimo bom. Bom paca!

Para o próximo ano (essas coisas já estão em curso) algumas mudanças aqui no blog: um visual mais suave - quem sabe até mais sofisticado! - e uma defesa temática mais voltada para meu portfólio profissional, em SOCIOLOGIA, cinema, fotografia, poesia...

Que os tempos que estão se anunciando tragam paz e milhares de revoluções em nosso coração. Mais do que nunca, estou convencido: no ritmo em que as coisas vão a barbárie nos será o mínimo. Assim, a velha fórmula luxemburguiana é atualíssima: socialismo ou barbárie!