07 janeiro 2009

Horizonte desequilíbrio

"Chuva Dissolvente", fotografia-pintura de José Bernardo

Para as greves históricas dos trabalhadores-heróis de todo o mundo, em todos os tempos

A vida inteira, como paisagem completa,
pude ver da janela confusa d'alma triste.
Galeano me disse que, como perdedor,
louco, lindo, rebelde, sou sal da Terra.
Sinto-me, contudo, tão-somente perdedor,
e do sal lembro apenas a dor que provoca...
... sobre feridas.

O coração belo, aplaudido, tocado, invejado,
amado até, cortejado então, colossal assim,
rasga o tempo, fragmenta-se num grande aperto,
dor, horror, indecifrável...
... enigmático esplendor.

Olho guevarianamente o horizonte,
nuvens abraçam meus sonhos,
escuras, nada, o que aconteceu?
O equilibrado desequilíbrio
da subversão do que sou
declinou...
... chorou.

Percebo o mundo num terremoto.
De que valeu o amor revolucionário?
Volto a imaginar um cigarro de alívio.
Emudeço o pensamento.
Saio...
... e deixo a porta entreaberta