01 maio 2009

Longe demais de tudo

"Cores e curvas", fotografia de Quark (2006)
Brilhos, retornos,
insistência quase irritante.
A pergunta prossegue:
vou conseguir?
Outra é ainda perdulária:
e o que será de mim?
Entre nuvens, simples trechos e solos de blues,
desenho o mapa de meus dias.
Contemplo o amanhã à frente dos meus sonhos.
Dia claro e ensolarado,
um velejar em altíssimo mar.
Penso em jantar a dois.
Elejo Guy e Cocker, alternados,
para variar.
Seleciono o vinho com a mão trêmula:
um erro, longo adeus.
Pernoito em meus delírios,
percorro pernas com a ponta dos dedos,
acomodo costas sob pés,
deslizo meu mundo por todas as curvas,
livres, leves, radicais,
estrada enlouquecida.
Penumbras e faróis,
próximas e mais distantes,
três lampejos matinais,
corro de mim,
enfim, domingo.
Romances policiais,
heróis desejados,
personalidades idolatradas,
veneradas na excentricidade.
Aventuras de um noctívago,
pura mesmice.
A escrita pode me levar,
ao som de Clapton,
sempre muito longe demais.
Outra vez.