15 junho 2009

Contramão: educação

"O caminho da Educação", fotografia de Kleber Virtuoso
Cantava-se que a primavera,
ainda que o horror lhe matasse os jardins,
jamais seria impedida de vingar.
Dizia-se,
a torto e a direito,
que a esperança seria sempre a última a morrer.
Abraçavam-se em convenções,
apertavam-se as mãos,
tapeavam-se nas - e pelas - costas.
Reuniam-se em nobres salões,
serviam-se de latos cafés-da-manhã,
hasteavam bandeiras,
bradavam hinos,
batiam continência,
estufavam, heroicamente, peitos e egos.
Comunicavam-se em eventos internacionais,
solidarizavam-se em tragédias,
indignavam-se diante do inumano,
prometiam paraísos,
desfilibrando corações.
Elegiam a educação a razão do mundo,
promoviam a crença no conhecimento,
desdenhando saberes simples,
falas cotidianas,
olhares do mundo.
Queriam a farta ostentação de seus júbilos,
premiavam a instrumentalização da inquietude,
amortizando rebeldias,
engessando alternativas,
cooptando insurgências.
Mercantilizavam a vida,
elevavam tudo à condição de ter, jamais-vir-a ser,
prestando desserviços,
algemando utopias,
castigando consciências.
Extinguiram, enfim, o sonho humano,
queimando letras e artes,
anulando porquês,
andando na linha, na direção certa,
pulverizando a fé.