20 julho 2009

E como sempre... após todos os beijos...

"Dois", fotografia de Pedro Weber, apontando belo momento para introspecções na Lagoa do Osório, Rio Grande do Sul

Demonstração tola de poder,
águas antes em calmaria,
pura aparência,
afeiçoando-se à intimidação,
ao desconforto.

Por que mudam as faces,
o aperto entre mãos,
o jeito de olhar nos olhos,
no fundo, bem fundo,
quando nas mesmas vestes,
amigos de outrora,
pareciam irmanados na revolução?

É claro que a revolução tem prismas distintos.
Uns a veem como fonte de aventuranças pessoais;
outros diagnosticam,
em seu movimento,
a emergência do amanhã.

Longe da penumbra que só se permite o bem,
sobressaem óbvias ilações:
como sobrevalorizar aqueles que,
na ardência da barbárie,
escondem a anulação da própria poesia-amanhã,
atrás de um suspeito todavia cômodo ¨depende¨?
Sem partido, sem opinião,
nem coração, nem indignação:
comodismo pretérito,
arauto da inércia,
acotovelamento da mudança,
indigitada e naufragada traição (nenhum perdão).

Triste apenas reconhecer desilusões,
efeito chuva,
irremediável cascata,
tão anunciadas, tão autoevidentes,
camufladas no sorriso debochado,
na pretensa calmaria,
no amargo ar de superioridade,
melancolicamente expresso,
suspeito de si,
sabedor de ser nada,
arrogância que furta o próprio vazio,
macula chances de viver, vencer.

Caminhos chapiscados,
esfumaçados,
abrem-se contudo após deslindar o oco,
o ocaso, o itinerário que leva ao novo.

A poesia popular é soberana:
o novo sempre amanhece,
com maior intensidade
quando afortunado,
briosamente afortunado,
na chama-novidade do humano,
o verdadeiro,
de justiça, solidariedade e paz.