03 agosto 2009

Divagações II - Assombros neoliberais...

Creio que a tal Gripe A já tenha atingido o grau de doença social. Todos sabemos que suas manifestações no organismo humano podem caminhar até dramáticas consequências, levando a ineficiências respiratórias e à morte. De outro modo, o pânico em torno de uma eventual epidemia (ultrapassando o tímido estágio atual de pandemia "suave") revela bem certos trechos da mentalidade neoliberal. Será que, se fosse realmente necessário lacrar escolas, teatros, cinemas, shoppings e eventos de grandes públicos, os arautos do mercado livre o fariam? Será que na ausência de um poder público regulador, os defensores dos mercados sem fronteiras não fariam de cada ser humano um cadáver potencial, caminhando rumo à morte entre sacolas, prestações, filas de crédito, fast foods, e educação/normatização burguesa para um amanhã improvável e, no mínimo, obscuro? Andei mesmo refletindo sobre a onda neoliberal de achar que poder público e nada deveriam se igualar... Em momentos de rígida necessidade de intervenção em nome da coletividade, o que executariam os mercados? A morte progressiva e animalesca ou a diminuição da arrogância do lucro usurento? Continuo pensando...