10 setembro 2009

Traçado

"Caminhando no Paraíso", fotografia de Fernando Dias

Um poema é um traço
um grito a lápis sobre a face das coisas
que, juntas, compõem o mundo
o planeta inteiro de todas as coisas

As coisas não são
entretanto
as tais mercadorias à venda no mundo
nos supermercados da não-vida

As coisas são a junção dos traços
o contorno na ponta do lápis
que, disperso, reúne nossos sonhos

Os sonhos é que são mesmo os poemas
dos traços
das coisas
da vida
Sonhar é viver
sem mercantilizar o traço
o esboço
o desejo

Poemas são então como riscos
traços de vida
sonhos das coisas
humanas, belas, eternas