15 setembro 2009

Orlas críticas

Passo a passo: não obstante cansado e muito decidido a dar outros e novos rumos a minha vida pessoal e profissional, venho encontrando fórmulas para o menor desgaste, a dura e cruel descompensação.

Ser sociólogo é o melhor da vida. Quero, contudo, ser outro, de novas maneiras. No mundo da forma-mercadoria tem sido difícil, estafante, uma via de mão única. As encruzilhadas nublam o olhar e tornam estéreis os sonhos de virtude.

Em meio aos descaminhos da obrigatoriedade de ganhar a vida, tive uma opção reconfortante: trabalhar, juntar dinheiro, pagar contas e honrar o ser desejante que há em mim (em todo humano) fazendo sociologia. Posto que imperativo, o trabalho me é dado por sendas prazerosas. Não é a sociologia que sonho realizar; não é o ambiente pelo qual quero me ver tomado, totalizado - a Academia da forma-mercadoria é hostil ao conhecimento como instrumento de emancipação do gênero humano, como palco privilegiado da luta de classes; não é o alunado engajado e mobilizador com o qual sonhei em meus delírios meia-oito... Mas é, sem dúvida, uma perspectiva da qual me disponho a brigar por outras caracterizações hegemônicas no confronto das visões de mundo e na própria diversidade dos universos de cultura.

Muito espero, entretanto, que esses espaços disponíveis me abram possibilidades mais abrangentes, compatíveis com uma sociologia verdadeiramente crítica, militante, cinematográfica - quero mesmo é filmar a revolução na orla atlântica do mundo que me fez nascer.

E mais que esperar, tenho batalhado por isso com a insistência corajosa dos apaixonados. Pela vida. Pela sociologia.