23 outubro 2009

À revelia

A doce crítica de Mafalda, do grande Quino, ao modo como os reacionários veem a liberdade...

aos educadores que simpatizam com o amanhã,
apesar do vazio desesperançoso do presente

Pensar para mudar
mudar para algo ser
algo ver
poder fazer
origem: theoro

Sentido é impermanência
figura do alterar
para manter
humanizando
revolução: destino

Tristes tópicos trópicos
mentes conservadoras
quase reacionárias
se soubessem o que defendem
desejam reacender
sentença: consciência-fora-de-si

A velha palavra não provoca
é frágil diante das certezas tão incertas
do amanhã improvável
- isso é certo!
da leitura desfeita, rarefeita, relegada
- isso é ainda mais certo!

No jeito sem trejeito
a ternura perde para o inaudito
deseducado, deselegante
facilidades: paralisia

Consumadas pelo consumo
almas buscam o que há
não havendo
iludindo o presente já sem depois
não houve daqui a pouco também: sina

Cabeças impermeáveis
histórias travadas
a bancarrota da dignidade
banal, frugal, nada venal
efeito radical: neomesmices

Vidas habitam despovoados
imberbes, imaturas
deslocadas, descoladas, amarguradas

Haverá o novo?
Certamente: à revelia