21 janeiro 2010

Altermundismo

"A revolução espreita", fotografia de João Gonçalves

Não sei ter pressa
nem consigo não fazer.
Quero o mundo todo
sob minhas asas
protegido por meus olhos
seguro em minhas mãos.

Minha inimiga é mesmo a falta de pressa
preciso de tempo para respirar
observar
descrever
desnudar
dialetizar o mundo, seus tumultos.

O desejo de parar
para ver o movimento das coisas
corrói meu ímpeto por revoluções.
Nada se faz hoje em dia sem correria
esgotamento, irritação
improvisos a perder de vista.

Insisto: invisto
Reitero: tempero o tempo
Na fuga da pressa
fica o mundo
pleno, anticíclico, insano.