23 janeiro 2010

Viva-voz

"Confronto entre o Sol e o Mar", fotografia de Marco Bagarrão

Ela insistia que nosso caso não poderia terminar daquele jeito. Queria mais chances, novas oportunidades. Batia realmente numa única tecla: me amava e acreditava que nossa história tinha algo a render. Via felicidade em uma união desunida, enxergava futuro no deserto hostil do presente, em andanças trágicas, tantas vezes agressivas. Num momento de desatino incontrolável, afirmou que até carinho havia entre nós.

Nas chacoalhadas do cotidiano - em meio às ofensas ideológicas praticadas entre esnobismos e voos de silêncio ensurdecedores -, ela julgava capturar ternura, via de fato bem-querer. Orgulhava-se de ter por mim um tesão infinito...

Eu andava à beira-mar naquele cair da tarde de céu aberto, avermelhado, divino. Carregava embaixo do braço um livro de insólito amor cortês. Lia em voz alta (olhar no horizonte) a redenção da minha história. Clamava pelo amor que ficara em minha terra, à minha espera...