18 janeiro 2010

Enadeanas

Pedro, jovem pobre da periferia de uma grande cidade, concluiu o ensino médio à custa de muito sacrifício e graças a um curso supletivo noturno.

Entusiasmado, e vendo seus colegas de empresa ingressando em faculdades, resolveu tentar a sorte e cursar o ensino superior. Não encontrou nenhuma dificuldade para ser aceito numa das tantas instituições que existiam em sua cidade. Sequer soube de desempenho, classificação, essas coisas. Recebeu uma carta com dezenas de informativos publicitários e um gordo boleto indicando valores de matrícula e primeira mensalidade. É claro que teve novamente de optar pelo turno da noite.

Mês a mês, entretanto, cresciam as dificuldades para acompanhar o curso. As leituras, os trabalhos, todas as exigências do ensino acadêmico - ainda que apaiolado - colocavam Pedro em xeque. A pergunta que se fazia todos os dias era: "Vou conseguir?"

Alguns anos depois, favorecido por muitas circunstâncias mercantilistas, Pedro terminou a faculdade, colou grau e encheu o coração de alegria e esperança. Anos mais tarde, no entanto, continuava no mesmo emprego, fazendo as mesmas coisas e recebendo o mesmo salário.

Pedro ainda se pergunta: "Vou conseguir?"