15 janeiro 2010

Fonsequiana

"pb", fotografia de Antonio Louro

As palavras ameaçavam desaparecer-lhe da boca. Não havia mais nada em sua máquina-corpo que parecesse funcionar. A situação evidenciada por todos os limites já havia rompido o espaço do suportável, o tempo do dizível. O sexo era intenso, muito suor umedecia lençóis e corria pelo colchão, pela estrutura da cama. Sussurros provocantes de paixão mista, dor, satisfação, delírio. Numa palavra: a verdadeira foda. Embaixo de luzes baixas, mínimas, o corpo dos dois amantes eram dois, mas se refazia, dado o entrelaçar mirabolante de pernas, braços, bocas, pau e buceta, num só. A foda havia purificado as almas e reunido tudo num abraço de alívio, esplendor, matreirice de adultos que retornavam, enfim, à adolescência dos prazeres infinitos. Ah, que foda, que foda...