15 janeiro 2010

Lua solar, sol lunar

Da Pedra da Gávea, Rio de Janeiro, partem em voo livre casais que vivem amores poderosos, agraciados pela paisagem divina que amantes carregam no olhar nos momentos mais acalorados de suas vidas. Voar da Pedra para a vida é assinar compromisso de amor intenso, novo a cada instante, ainda que por toda a eternidade...

Por mais de doze horas tive a nítida sensação de reviver todos os meus quase trinta e seis anos de idade. Pude, sob olhares, mãos, beijos quentes e ternos, passar a limpo os instantes mais decisivos de minha trajetória de vida. Calmo e sereno, caí nos braços de uma paixão colossal, que chegou devagar, revelou-se de modo inusitado e se intensificou a distância, graças às pequenas maravilhas tecnológicas da sociedade pós-moderna. Confesso que fui levado ao olho do furacão, de onde pude ver o mundo em sua forma mais genial: caótica, imperfeita, humana. A beleza e o esplendor, no entanto, também estavam lá, carregados por ventanias, raios, rajadas de paixão, sangue, total embriaguez da alma. Pulsou em mim, minuto a minuto, a pujante entrega amorosa rodrigueana, cafajeste e terna, puta e dama, comedida e absolutamente despudorada.

Os ímpetos se repetiam: uma, duas, três, quatro, cinco... Sim, cinco artesanais etapas de amor, lascívia ardente, paixão que não se cabia, permitia, exigia mais, explosiva e mais forte a cada nova investida de seu belo, incrível, mágico desenvolvimento.

Por uma cheia lua e um cintilante sol de verão, tempo regado por gotas de uma garoa aliviante, entre beijos, pernas, mãos e curvas de todas as matizes, entendi a força da felicidade.