20 maio 2010

Datilografia

"Em volta dos meus passos", fotografia de J. Pedro Martins
De um polo a outro, freneticamente ligado às novas e excitantes sensações que invadiam meu corpo, compus aquilo que alguém já chamou de sinfonia inacabada. Preparei-me como nunca para exercer tamanha e grandiosa função. Li, reli, desnudei mundos que revolucionaram minha resistência, minha forma de insistir. No meio do caminho, cedo para entregar os pontos, tarde para voltar atrás, redefinir prioridades ou reconceituar a vida, a decepção só não foi maior porque a teorização imprescindível à minha formação e ao meu preparo para o repto já havia advertido: as coisas mudaram, outros caminhos - indefinidos e bastante acidentados - (des)faziam cabeças, conduziam (in)consciências. Tempos de crise. Certo de que vitórias seriam então sempre parciais e extremamente fugazes e frágeis, de pequeno alcance, rizomas, revirei meus transtornos e desafiei meus demônios: alternativas há?

Passei a escrever sobre percalços e peripécias, a amar a geografia, a cultura, a história de minha terra prometida, andando sobre as águas do mar, o escândalo de prazer e êxtase de minha própria modernidade tardia. Ouvindo a trilha da minha trajetória, redescobrindo prazeres em espaços antes ocupados pela indiferença, datilografo agora e para já meu futuro à la Raulzito: "Não sei aonde estou indo, mas sei que estou no meu caminho"