02 dezembro 2010

Adeus, BER-LINDA!


Fim do plantão tricolor. Fim dos "bons dias" e "boas noites". Fim dos doces "vida" e "amor". Fim de muitas coisas, de todas as coisas que deram sentido às coisas que não tinham razão de ser. Agora, o fim faz perecer. O olhar, camuflado e azul, eterizado, insinuante, que precisava se esgueirar da multidão atenta e às vezes tão maledicente, também cessou: não resistiu às poucas forças de sua resistência nada revolucionária, não obstante utópica e valente - que tentou ser forte, que buscou ser maior, que acreditou ser possível o que sempre será possível, somente aos olhares que não se cansam de erguer bandeiras.

A espera cansou. Os dias intermináveis cansaram. Os desencontros cansaram. Os sonhos incomuns cansaram de tantas incongruências, assimetrias de voz, vez, desejo. Os mundos, enfim, cansaram.

Houve um adeus, marcado pela linguagem que fez a união nascer: virtual, fria, distante, às vésperas do fim, que, ironicamente, havia sido seu início, no verão de minh'alma, no fim ingrato de um ano duro, mas necessário. Passado, ufa!

Ciente de que não haverá arrependimentos, de que o adeus de lá não voltará atrás e de que um sonho novo já ocupa seu coração, já coloniza todas as suas atenções, abaixo os olhos, respiro fundo, contemplo o céu e grito, atordoado, pronto para me esconder entre as lágrimas que só irão parar de escorrer para dar vazão às outras, aquelas verdes, brancas e grenás que salvarão, pela enésima vez, a minha vida da própria morte...

Adeus, BER-LINDA!