27 abril 2011

Fran III


"Dunes", fotografia de Ana Martins

"Fran III" encerra a trilogia em homenagem a morena mais desejada do mundo. Após "A melhor manhã de sábado da minha vida" e "A bela da quinta", é hora de me despedir de Fran e dos contos eróticos. Resolvi me aposentar dessa bela vertente literária. Acredito que o momento seja o de me dedicar a outros escritos, novas praias, areias, águas, sóis... Confesso que escrever sobre Fran foi muito mais que dar asas à imaginação: foi uma forma inventiva e saudável de lidar com minhas ideias,meus desejos e até minhas frustrações (quem não as tem?!). De uma certa maneira, Fran já vive em mim e é o maior amor da minha vida - literariamente, pelo menos.

Não sei bem de onde surgiu a obsessão. Culpei Lourenço Mutarelli e seu doentio personagem de "O cheiro do ralo". Responsabilizei a cultura brasileira e suas odes carnavalescas às curvas femininas. Em momento de provável desatino acusei a coisa em si, paradoxal por natureza, enigmática, bela, aconchegante, destino de tanta fantasia. O fato é que bunda de mulher mexe demais comigo. Por tudo quanto é canto, vivo a admirá-la, cobiçá-la, imaginá-la travesseiro de minha loucura.

Lembro que, quando vi Fran pela primeira vez, soube que estava a vislumbrar a mais linda, perfeita, desejada bunda do mundo. O tamanho, o rebolado, o modo insinuante como se encaixava dentro de um jeans justinho combinavam maravilhosamente com coxas, pernas e calcanhares torneados em linha artesanal de montagem. Mais: a cintura e o movimento das ancas, rígidas e suculentas, permitiam ao olhar cotejar a delícia do sulco, o calor do rego, a aventura delinquente por um universo que se encerraria definitivamente no momento em que a língua se perdesse naquele volume todo bem dosado, feito para a perdição. A bunda de Fran provocou minha paixão por aquela jovem jambo, de sorriso reluzente, de semblante ingênuo, nitidamente a esconder estrepolias de uma mulher que sabia fazer uma sacanagem como nenhuma outra. Um anjo moreno, uma fêmea intensa, uma máquina de amor.

Fran namorava havia bastante tempo o mesmo sujeito, um cara que, de tão papalvo, "de série", instigava em mim uma onda torturante de perplexidade. Como, eu perguntava a mim mesmo, uma bunda dessas pode se oferecer a um indivíduo tão sem graça?! Por que, meu Deus - e isso me perfurava a alma -, um sujeitinho tão tãozinho tem o privilégio de foder um traseiro como o da Fran?! As revoltadas autoarguições caminhavam disso para mais, muito mais. A grande porcaria era imaginar Fran gozando naquele bosta, sendo gozada pelo cacetinho de um indivíduo quase nulo... Enquanto isso provavelmente ocorria, eu me matava de tanto bater punheta pensando na buceta de Fran, na bunda dela rebolando e esporrando no meu pau. No limite, eu estava realmente pirando.

Numa quarta à tarde, após ter ido buscar um livro encomendado na megastore do shopping, resolvi tomar um café para relaxar e pensar na vida. Depois de dois cafés, que em vez de me acalmarem, óbvio, me exclamaram ainda mais, fato que conflitava com a preguiça que parecia gritar dentro da minha cabeça, vi Fran passar. Instantaneamente, dirigi os olhos para o seu rebolado. De calças brancas e semibags, a bundinha ainda despontava, dessa vez leve, libertada dos apertos criadores de formas e silhuetas. Solta e à vontade, a bunda de Fran era ainda mais atraente e sedutora. Senti, em segundos, que meu pau desejava estourar a cueca...

Ao apontar no corredor que levava aos toaletes, provavelmente querendo retornar à loja em que trabalhava, Fran me avistou e percebeu que eu a fitava de modo paralisante - e isso ela já prenunciara havia algum tempo. Caminhando em minha direção, seus passos me aterrorizaram. Quando, a dois instantes de mim, puxou a cadeira a minha frente, sentou-se e disse "Posso tomar um café aqui com você?", principiei a pensar que teria um derrame, um  infarto definitivo.

A mulher decidida, voluptuosa e inesquecível que iria conhecer surgia ali, naquele momento arrebatador.

- Você tem algum problema com bunda? - perguntou Fran, meio irônica, meio desavisada.

- Hã?! - juro que não dissimulei. Eu havia mesmo sido flagrado de modo surpreendente. De onde teria vindo a matéria-prima da questão? Por que, depois de meses - eu sempre soube que ela sabia de mim! -, ela resolveu perguntar aquilo e daquele jeito?!

- Mulheres percebem, homem, quando são observadas. E percebem ainda mais quando são observadas de um modo particular. Sinto faz tempo que você é aficionado pela minha bunda. Sinto mesmo que você come meu traseiro com os olhos - ela esboçou um sorriso maroto, no canto esquerdo da boca estonteante...

- É... é... eu... bom... - perdi as palavras.

- Você é bobo, homem. Mas consigo entender de verdade que sua doideira por mim não é nada desonesta, que você realmente vê algo especial em mim, de modo cativante, meio romântico, sei lá.

A surpresa, digna do próprio nome, não me impediu de dizer a ela que o que eu sentia era inexplicavelmente gigante e complexo. Pressenti que nunca teria uma oportunidade como aquela. Pedi um café para Fran (eu não toparia uma terceira xícara da minha bebida favorita) e me pus a falar.

- Não sou mais um garoto Fran. Você, sim, é uma menina, uma linda, misteriosa e deliciosa menina. Eu não deveria sentir nada por você. Eu não deveria congelar meu corpo e meu espírito cada vez que fito você e sua bunda, em particular. No entanto, enlouqueço, me desconcerto, fico à deriva só de pensar em você e nessa sua bunda deslumbrante. Você nem precisa estar por perto, eu nem preciso ver você. Minhas retinas já fotografaram seu corpo e meus pensamentos já eternizaram você em todos os meus delírios. Quer saber? Daria metade da vida que devo ter pela frente para foder você sem parar, entregar-me insaciavelmente a sua bunda.

- ... 

Ela é que naquele momento perdeu qualquer ideia, todas as palavras.

Antes de o café chegar à mesa, ousei segurar-lhe o braço. Ela não resistiu. Trouxe-a ao encontro de mim. Ela até facilitou. Beijei-a. Ela correspondeu de modo abertamente interessado. Entre línguas que digladiavam, um calor crescente e movimentos que já não conseguiam se conter. Nossos olhares se convidaram para sair, ir para muito longe dali. Convite reciprocamente aceito.

A caminho do estacionamento, entre o frenesi de mãos e bocas que se buscavam atabalhoadamente, disse a ela que tornaria tudo inesquecível, que iria fodê-la de modo implacável e definitivo. Ela, meio dispersa, ensaiou uma pequena gargalhada e disse: "Estou pronta!". No carro, levemente molhados por uma garoa que não cessava havia três dias, aproveitamos um pátio quase vazio num meio de semana sem muitos atrativos festivos ou comerciais. Em minutos os vidros embaçados impediam que imagens do interior do carro fossem vistas por improváveis pedestres no estacionamento. Meu carro, transformado em confortável cenário de nossa delirante insensatez, mudara nossos planos: não iríamos mais a lugar algum. Estávamos no lugar certo, pleno, perfeito para a imperfeição de nossos tão humanos instintos.

Enquanto nos beijávamos de modo incontido e impetuoso, Fran arriscou o aparelho de som. Na gaveta fazia semanas, o álbum "Thundersteel", dos novaiorquinos do Riot, gravado em 1988. Eu me apressei: "É um disco clássico do heavy metal, Fran. Não ando por aí com trilha sonora para fodas dentro do carro. Infelizmente, não há outro CD por aqui... ". Mais uma vez, o sorriso de Fran me fez desabar: "Amo metal. Sempre quis transar ouvindo um bom disco de metal. E esse aí parece muito bom. Vamos que vamos!". Enquanto rolava "Fight for all", música de abertura do disco, Fran abria a braguilha da calça e jogava lá dentro minhas mãos, pedindo que a penetrasse bem devagar com os dedos. Ao mesmo tempo, ainda em estado de choque, percebi que ela lambia fervorosamente meus mamilos, alternando pequenas mordidas e potentes chupadas. Eu estava condenado a não voltar para a Terra depois daquela tarde.

A guitarra de Mark Reale e a voz de Tony Moore casavam como luvas, e "Fight for all" rolava solta quando Fran começou a chupar meu pau. Pela primeira vez na vida soube o que era garganta profunda. Fran levava o pau até a ponta da garganta, mexendo, mexendo, quase precipitando tudo e me fazendo gozar. Contive a fúria de Fran e voltei a beijá-la. Empurrei-a para o canto do banco traseiro, puxei suas calças e retirei-lhe a calcinha, rosa, linda e perfumada. Mordiscava-lhe os grandes lábios e a penetrava veementemente com a língua, na indubitável certeza de estar a degustar a mais deliciosa buceta do planeta. Quando já me sentia impregnado do gosto de Fran, Tony Moore arrebentava com "Bloodstreets", a minha dileta canção do Riot, uma injustiçada e quase desconhecida banda de metal. (Engraçado é ressaltar que, não obstante o esquecimento do público, a crítica especializada sempre reelege "Thundersteel" como um dos melhores álbuns do estilo em todos os tempos. Incongruências do real.)

O ritmo da guitarra de Mark Reale e a cozinha direta do baixista Don Van Stavern e do baterista Bobby Jarzombek não permitiam muitas firulas e condescendências. Fran e eu trepávamos com gosto, tesão arrebatador. No momento em que a penetrei, com todo o carro a exalar sexo, ela, em vez de gritar, suspirou,  fixou-me o olhar e repetiu três vezes: "Come!". Confesso que foder ao som de um puro e bom metal é algo quase inenarrável. Os sentimentos se animalizam, os desejos se transformam em pedra bruta, absolutamente indisposta à lapidação. Fran e Riot formavam um par perfeito: a melhor bunda e o melhor disco de metal. Uma experiência verdadeiramente marcante.

Quando o CD alcançou "Run for your life", virei Fran de bruços e a coloquei bem estendida sobre o couro do banco. Com muita ansiedade e, a um só tempo, certa vontade de prolongar a visão de sua bunda até o infinito, beijei-lhe nádegas, lambuzei seu rego com minha saliva, apertei-lhe freneticamente o traseiro. Muito mais linda do que pude supor, a bunda de Fran era convidativa. Parecia de fato me chamar para sorvê-la, perder-me em sua imponência, perfeição. Com as mãos firmes a segurar-lhe pela cintura, encostei a cabeça do pau à entrada de sua vagina, enterrando-lhe o membro até o fim, de uma só vez. Em instantes, debruçado sobre seu corpo, senti que Fran, enfim, estava a delirar, gozar seguidamente. Enquanto os belos riffs de Mark Reale ganhavam a atmosfera úmida do interior do carro, cheguei a sentir que minha vida era tragada pela buceta de Fran; que eu seria prisioneiro permanente daquele corpo, daquele prazer imensurável. 

De surpresa, como havia sido cada gesto e cada palavra de nosso encontro, perfurei o cu de Fran com o dedo médio, festivamente. Percebi um recuo, mas só. Talvez um pouco renitente, Fran empinou um pouco mais a majestosa bunda. Senti que era a deixa. Retirei o pau de sua buceta e o enterrei no cu, apertado, indescritivelmente apetitoso. Durante os pouco mais de três minutos e meio que preenchem o tempo da canção-título do álbum do Riot, um petardo rápido e avassalador, confrontei meu pau com o rabo de Fran, intercalando suavidade e truculência, de acordo com as variações das guitarradas de Reale. Como que ensaiado, gozei no derradeiro e épico segundo da canção. "Thundersteel", o álbum, e Fran e eu, a foda, encerrávamos juntos o show. Um senhor show, frise-se.

Tocou o celular de Fran, perdido no bolso da calça branca que, àquela altura, estava no banco da fente do carro. Era a chefe, dona da loja. Preocupada, resolveu ligar para saber o que estava a acontecer. Fran, meio sorridente, visivelmente cansada, disse que havia tido uma forte indisposição, que havia saído para tomar água e ar, que logo voltaria a loja. Frisou que tudo estava bem naquele momento. Fran pediu que eu ficasse no carro, descansasse, fosse embora mais tarde. Ela teria de retornar ao trabalho. Chegou perto de meu ouvido e sussurrou, lânguida: "Tesudo safado!".

Uma ou duas vezes por semana, sempre à tarde e dentro do carro, em lugares sempre novos, Fran e eu transávamos ao som de algum clássico do heavy metal. Combinávamos banda e álbum pelo telefone, escolhíamos o figurino e dávamos à bunda de Fran o protagonismo absoluto do encontro vespertino. A louca aventura durou uns três anos, até Fran se casar com o namorado e ir viver numa cidadezinha perdida do interior do país. Depois disso, passei a ouvir nossos discos em homenagem a ela, a mais linda bunda do mundo.