26 julho 2011

A autonomia crítica


Ao denunciar pelo artigo J'acusse, publicado no jornal francês L'Aurore, a injusta condenação do oficial  Alfred Dreyfus, acusado de traição ao corpo militar pelo poder de Estado na França, em 1898, Émile Zola (1840-1902) conquistou a simpatia de centenas de artistas e homens de letras, que, pelos apoiadores da França, foram chamados, pejorativamente, de intelectuais. Estava criado um termo que, doravante, passou a definir reflexividade, crítica e coragem para a independência.

Um dos requisitos básicos da crítica é a autonomia. O crítico da arte, da política, da filosofia, ainda que tenha preferências e até as defenda em termos ideológicos e partidários, não pode se fechar em esquemas prontos, seminarizar sua atuação. É inevitável ao bom pensamento manter-se aberto ao dinamismo do tempo e de seus agentes sociais. A possibilidade de voltar no túnel da História não existe e os grandes nomes da reflexão mundial devem tão somente orientar, dar pistas, colaborar na sustentação dos argumentos. Deve-se, contudo, identificar todo sujeito como alguém preso às suas circunstâncias e realidades. Assim, para viver, compreender e mudar o mundo de hoje, faz-se imprescindível recrutar aqueles que pensam e interagem no presente.

Ultimamente, descolados do passado (sem raízes, portanto) e estranhados no presente (perdidos, pois), muitos movimentos têm aberto mão da autonomia crítica: misturam-se a governos e governantes; aliam-se a pensamentos muito mais condizentes com o mundo medieval do que com a complexa e plural atualidade; acumpliciam-se a impropérios, falas baixas, ditos nada razoáveis... Fica, diante disso tudo, a pergunta: onde está o desejo do futuro?

O velho e louco Thimoty Leary, nos gloriosos anos 1960', já alertava para essa fusão promíscua de interesses e dizia: "Saiam dessa. Caiam fora enquanto é tempo". Falta-nos um pouco dessa lucidez embriagada de um Leary da vida...

A geração beat de Jack Kerouac, o autor do indispensável "On the road", também apostava na autonomia. Para tanto, a crítica deveria se apoiar na rebeldia e no inconformismo.. Suas viagens literárias estão recheadas de personagens inquietos, sempre indispostos à conciliação fácil e forçada. A crítica requer ser muito resistente.

Sérgio Paulo Rouanet, escrevendo sobre a crise dos valores universais, destaca que o intelectual é aquele que, abrindo mão de seu papel técnico e pragmático, volta-se contra o peso das situações reais, indispondo-se contra a ordem e suas contradições. Ele é um profissional, cheio de obrigações, prazos e demandas institucionalizadas, mas só se faz um intelectual, um crítico autônomo, quando denuncia o viés de exploração dessa mesma ordem, a qual muitas vezes se vê impelido a rubricar. A autonomia, nesses termos, é também coragem, coerência e honestidade do pensamento.

Hoje em dia, contudo, devastadores do meio ambiente frequentam congressos ecológicos, votam, dão receitas de sustentabilidade. Investidores de grandes capitais especulativos financiam a educação, pautam ações de Estado, discursam sobre liberdade e qualidade acadêmica. Burocratas e radicais de direita se infiltram em movimentos sociais e espalham grosserias e pouca rebeldia. Em suma, em toda parte vem reinando o terrível "tá ruim, mas tá bom".

Sem autonomia, a razão perde força para discernir quem é quem, o que é o quê. Sem poder crítico, o pensamento se enfraquece e cai nas mais absurdas histórias e conversões hipócritas e tidas por milagrosas.

É hora de inquietar o mundo e promover juízos rebeldes, como defende o sociólogo Boaventura de Sousa Santos. Juízos que estejam aptos e a fim de mudar tudo, inclusive a si mesmos.

19 julho 2011

A última lembrança


Grace Kelly, a musa da beleza eterna, a mulher mais bonita do mundo

Nunca me perguntei se havia necessidade de apresentar razões para amá-la. Na verdade, embora seja puro lugar-comum, está enraizado em mim que paixões e amores abrem mão de formalidades, explicações, registro em ata, testemunhas oficiais. Quando proibido (e lá longe se vão milhares de circunstâncias que podem ou devem ser consideradas proibidas), o tal amor, sublime ato descontínuo - a nada pode ligar-se, de ponto algum deve advir -, converte-se em vontade, ansiosa força humana. Amantes acometidos pelo proibido quebram tabus, rompem fronteiras. O antiquado mundo do pecado transforma-se em algo a ser desmoralizado, completamente destruído.

Refletindo sobre a forte pulsação que a lembrança dela dispara em mim, sobre todos os pecados que junto dela desejei cometer e, principalmente, acerca da grandiosa aventura que mais do que tudo ansiei realizar com ela, fui invadido pela necessidade de pensar o amor, problematizá-lo, torná-lo protagonista de uma história entre mim e aquela mulher, a que considero a mais bonita do mundo.

Lembro que disse a ela uma ou duas vezes que a considerava a mais bela mulher do mundo. Não éramos nada mais que amigos, presos a uma relação que se institucionalizara, perdera-se em posturas desejáveis e cínicos decoros. Não obstante, trocava o beijinho no rosto e emendava: 'A mais linda mulher!' Era evidente a delícia do ouvir; ela se sentia contemplada, agraciada por meus elogios, todo meu derretimento. Penso, contudo, que não via nada de mais em minhas palavras: não supunha, jamais supôs, que havia por trás de cada letra, da simples entonação, um homem incendiado por paixão, desejo, incontrolável (em verdade, continuo controlando...) desespero de amar. Eu era, da cabeça aos pés, segundas, terceiras, múltiplas intenções.

Tudo nela existia para me provocar: os olhos escuros, levemente aprofundados; as pernas perfeitas, costuradas na perfeição de cada sinuosa passagem, incomparáveis mais ainda por promoverem um rebolado único, chamariz, fonte de tudo que quis, mais quis, sempre, calado, quererei. O corpo dela, a cada centímetro, fazia jorrar em mim a latinidade da dança, da cópula. Sem jamais ter sentido, eu podia saber que o perfume natural do corpo dela era o complemento sem igual de todas as minhas sensações. Ora, meu Deus, nada ocorria para mim, se, nas manhãs em que pudesse vê-la, ela se ausentasse. Qual fortuna poderia haver em palavras de amor que, elaboradas para uma mulher, não encontrasse seu destino para induzir os olhos a uma declaração venturosa? Por meses aguardei um sinal, embrenhei-me na tortuosa espera de ouvir, capturar uma deixa, uma esperança. Tudo que queria era tocá-la, encontrar seus lábios, conhecer, enfim, o cheiro, a batida do coração, a ebulição dos hormônios, o modo como o desejo nasce, cresce e explode em sue corpo. Ah, eu queria amar, pura e simplesmente, aquela mulher.

Hoje, completamente apartado do convívio dela, debruço-me sobre as imagens e sensações que a memória arquivou: a pela morena, o alegre e doce sorriso das manhãs, o caminhar que roubava o caminho que tomava meu olhar, a voz rouca que me confundia as têmporas, os tornozelos e pés, um fetiche que não pude experienciar... Dela ainda brotam momentos muito meus, nos quais canções e breves instantes de repouso se reúnem para, em meio ao silêncio da chuva, resgatá-la no tempo, esboçar algo que não houve, embora tenha sido o mais querido de todos os mundos, real na sua estrondosa irrealidade.

Para ser sincero, em algum momento, não sei bem qual, imaginei que teríamos a chance de amar um ao outro. Minha estranha e telúrica ingenuidade das ideias bem que tentou me convencer de que a mulher mais bonita do mundo seria minha, intensamente minha, ao menos uma vez na vida. Nos estados de maior euforia, vi-me grudado a ela existência afora, feliz, completo, legítimo conhecedor do amor e de suas poéticas e tão anunciadas promessas de eternidade. Hoje, no entanto, sentencio-me a esta última lembrança.

06 julho 2011

Gramscianas IV: o indivíduo


"O peregrino sobre o mar de brumas" (óleo sobre tela), de Caspar David Friedrich

Acredito firmemente que a liberdade para todos depende de certa paridade nas condições sociais, econômicas e culturais asseguradas às pessoas. Se permanecem condições privilegiadas (de concentração de poder e riqueza para uns, em detrimento de pobreza e ignorância para outros), a liberdade se degrada. [...] Estou convencido, igualmente, de que a luta permanente pela democratização depende da participação ampliada, do aumento da participação dos explorados no combate à exploração e do aumento da participação dos oprimidos no combate à opressão. (Leandro Konder, em suas "Memórias de um intelectual comunista")

No melhor da já longa e clássica tradição socialista, há uma preocupação permanente em desenvolver condições reais para um equilíbrio entre as liberdades individuais e a experiência comunitária. No mesmo sentido, a luta socialista quis criar uma realidade paritária, nos níveis econômico, político, social e cultural, para TODOS, e não apenas para uns poucos e alguns outros, sazonalmente. Foi Marx quem definiu a sociedade futura - aquela de pescadores, poetas e amantes sintetizados na figura concreta do homem sem adjetivações - como a livre associação de indivíduos livres.

Dos utópicos do século XVIII ao pensamento crítico e dialético dos marxistas do século XX, o alvo socialista não mudou: no fundo, o desejo era transformar o mundo para que ele pudesse ofertar circunstâncias mais favoráveis ao surgimento de um novo tipo de indivíduo, resultado da delicada simetria entre a metade parcial e a metade social, dupla sempre dinâmica que fundamenta o humano.

Os utópicos, como Fourier e Owen, os "científicos", Marx e Engels, em espeical, e os dialéticos, Benjamin e Gramsci, notadamente, todos indicavam no mercado capitalista um sem número de contradições e estratégias para dominar a consciência, escravizar o corpo e controlar o destino dos trabalhadores. Ao mesmo tempo que era obrigado a vender sua força de trabalho a quem quisesse e precisasse comprá-la, o indivíduo se via atormentado pela inquestionável urgência de conter os ímpetos mercantis exclusivamente voltados para o lucro capitalista (costumeiramente calculado por escalas geométricas). À proporção que crescem as forças de mercado, comprando e vendendo tudo que veem pela frente, a porção comunitária dos indivíduos se esvazia e se perde, o que acaba por identificá-los tão somente por sua nada generosa fatia parcial: a competição por salários, status, reconhecimento coloca todos contra todos. Na guerra mercadológica por mais dinheiro, conforto e prestígio, a subjetividade abdica da solidariedade de classe, apaga do horizonte a luta por emancipação humana e restringe a existência a tentar ser "melhor", mais apta, admirada etc. É daí que surgem por exemplo, as noções desconfortáveis de "vagabundo", "subversivo", "imprestável" e toda a escala burguesa de mensuração e classificação daqueles que não se ajustam à lógica capitalista de mercado. Ou se é do bem, ou se é do mal; ou se está ajustado, ou se é pura e simplesmente um "desajustado".

Se as relações generalizadas baseadas no valor de troca permitiram o aquecimento da vida econômica e o aumento da atividade produtiva do trabalho humano, contra o qual as máquinas de indisporiam mais e mais no correr do tempo, o mundo do livre mercado mediado pelas instâncias de interesse do capital não cessou de distribuir distorções, injustiças e desigualdades no interior da vida social. Com a medição monetária e quantitativa de tudo e a batalha imoral entre todos, os valores qualitativos perderam autossignificação.  Os princípios éticos - honestidade, hombridade, coerência entre o dito e o feito - passaram a ser atributos raros e divisórios, em vez de se generalizarem como itens da própria condição humana, elixir do viver junto.

Despedaçada, a comunidade humana não tem como definir os valores que irão orientar as práticas individuais. Preceitos morais e condutas éticas dependem do encontro intersubjetivo, do interesse comum em criar os porquês do convívio, normas e balizas. Isolados e temperados na crença da autossuficiência (falsa dos pés à cabeça), os indivíduos, no capitalismo, se desencontram de si mesmos, na medida em que vivem pela metade, dissociados de sua porção socializante.

A filósofa Agnes Heller foi oportuna ao definir o homem como um ser cindido: toda vez que o pêndulo de sua humanidade recai para um dos lados, causando desequilíbrio, há o desdobrar de muitas inumanidades. Se mais indivíduo do que ser social, o sujeito pode vir a ser um poço de egoísmo, possessão e passionalidade, capaz de articular o que lhe houver de racional apenas na obtenção de vantagens intransferíveis. Se mais ser social do que indivíduo, a carência o torna suscetível à absorção por ondas de fanatismo e extremada intolerância, o que desintegraria de uma vez suas chances de autonomia, discernimento e espontaneidade. As liberdades individuais, conquista dos séculos atravessados pelas lutas populares, requerem o fortalecimento da dinâmica social para que no interior das experiências comunitárias possam ser delimitados os pilares de sua defesa e de sua ampliação. Nesses termos, descobrir alternativas para um cruzamento profícuo e abrangente entre as liberdades individuais e o necessário exercício conjunto dos elementos constitutivos do mundo da vida, referendando a união das metades do humano, permanece tarefa socialista.

Reinventar instituições e mediações; recriar formas de comunicação e promulgação das conquistas técnicas e científicas; repactuar arte e cultura, ofertando-lhes novos papéis e significados; tudo isso corrobora o enigma de Che: como, afinal, construir o "homem novo"? É o que temos de descobrir - e fazer!

05 julho 2011

Gramscianas III: a contradição


O modo de pensar dialético - atento à infinitude do real e à irredutibilidade do real ao saber - implica um esforço constante da consciência no sentido de ela se abrir para o reconhecimento do novo, do inédito, das contradições que irrompem no campo visual do sujeito e lhe revelam a existência de problemas que ele não estava enxergando. (Leandro Konder, em "A derrota da dialética")

Marx aprendeu com Hegel que, no plano da reflexão lógica e formal, toda contradição é uma manifestação de defeito. Hegel asseverava que, sendo limitada, a lógica formal não era capaz de abarcar todos os problemas da humanidade.

Na vida concreta, naquele inevitável encontro de sujeitos que partilham impressões e ações em face da realidade diária, a contradição é um elemento essencial, inalienável. Mais do que um limite ou uma imperfeição, a contradição é algo que se renova: não há, nunca houve, jamais haverá realidade e presença humana que, defronte uma da outra, intercaladas, não produzam e façam emergir contraditoriedades. 

Com essa percepção da vida social, Marx se opunha radicalmente às intenções metafísicas, para as quais tudo se relaciona somente pela superfície, uma vez que a essência de todas as coisas - inclusive a "coisa humana" - será sempre imutável. Dessa resolução, observou Marx, nasce a associação imediata entre o pensamento metafísico e as questões meramente quantificáveis. (Se as coisas não mudam, como tão bem apoiavam os positivistas do século XIX, não haveria por que atribuir ao humano habilidades para empreender transformações qualitativas em sua existência.)

Hegel, contudo - ainda que nos limites do idealismo e da especulação da consciência como sendo o verdadeiro "espírito do mundo" - percebia que tudo só podia existir em movimento, e que todo movimento se embebia de muitas contradições. Como tudo muda o tempo todo, todas as coisas - humanas e inumanas - estão inter-relacionadas: as partes que compõem a tensa relação entre o homem e a natureza possuem historicidade, têm início, desdobram-se no tempo, vivem a se metamorfosear, adquirindo novos papéis, funções, representações do real. A reciprocidade entre os fragmentos que totalizam o mundo, cada qual com suas particularidades e características muito distintivas, ligam as fissuras do tecido da vida. Para entender o mundo, portanto, dirá Marx mais tarde, é imprescindível "quebrá-lo", analisá-lo em suas partículas e recompô-lo. Através desse exercício de montar e desmontar realidades, apreende-se que o todo é indefinidamente maior que a soma das parcelas que o constituem, tomadas isoladamente.

Nesse sentido, uma família é mais do que cada um dos seus membros reunidos; uma instituição educacional é mais complexa e dinâmica do que as atividades integradas de seus dirigentes, professores, funcionários e aluno; uma cidade ou um país, enfim, não se reduz às suas realidades imediatas, ainda que fosse possível aglutinar o econômico, o cultural e o político numa comunidade ilusoriamente integrada e internamente coerente.

Se apenas reunidos, somados ou integrados, os instantes particulares de uma determinada experiência concreta não apresentam claramente suas contradições essenciais. No plano do contínuo movimento que aproxima e ao mesmo tempo distancia as particularidades e suas múltiplas relações entre si, as quais revelam lacunas, imponderados, rupturas etc., a contradição se autoanuncia - a evidência do conflito (ou ao menos do confronto) só se faz no mesmo espaço em que sua negação também pode se elevar. É assim que a dialética, num infinito proceder de afirmações e negações, conservação e sublimação, define toda realidade como sendo composta por elementos constituintes e não definitivos dessa própria constituição, ou seja, o belo está no feio, o certo cutuca internamente o errado, o justo possui predicados de injustiça, o perfeito resvala sempre no medíocre, face a face. A essência desses pólos contraditórios em sucessivas e inefáveis articulações impede que o todo seja tomado por suas partes, todas elas, em si, resguardadas das contradições que só se põem a nu quando em situação de movimento, integração e partilha.

Por um único segundo


"O abraço do mar III", uma arte de Ricardo Paula

De soslaio, completamente envergonhado sei lá por quê, eu a vi passar por um único segundo.Seria bem honesto que eu dissesse: mal a vi. Assim mesmo, com apenas um instante da sua presença a metros de mim, voltei a não esquecê-la sob hipótese alguma.

A mulher mais bonita do mundo estava ali novamente, ao alcance reprimido do olhar, a mil léguas submarinas do meu verdadeiro desejo de surpreendê-la por abraços, beijos, todas as poesias que pudesse lhe dedicar. Não sei - alguém sabe? - o que é o amor. Sinto, no entanto, que, se o amor é magnânimo, tenho-o em mim, tamanha a grandeza da imagem dela nos rabiscos do meu pensamento. 

Toda vez que me disponho a esquecê-la, o movimento de minhas ideias me conduz de fato pela contramão: seus olhos escuros e profundos, suas curvas perfeitas, o indefectível rabo-de-cavalo, o sorriso anestesiante, o perfume que só sei imaginar bem perto, o calor que chego a me permitir quando cerro os olhos e me entrego a sonhar... toda ela me atropela desprevenido, absorto em instantâneos de uma pura paixão que nunca existirá, nem por um único segundo...

Quando quis homenageá-la, tornando-a musa das letras mais inspiradas que já grafitei nas paredes do delírio, ela optou por me esquecer para sempre. Despediu-se por meio de uma pergunta que me vi obrigado a fazer, dado o colossal desespero de perdê-la antes mesmo de a possuir. O verbo possuir, aliás, quando se associa a ela em meus devaneios, brinca com meu equilíbrio emocional, me arrefece, tortura para liquidar de vez o que eu julgava melhor em mim: essa grandeza que pode ser o tal amor, talvez seja o humano em busca e si mesmo, certamente sou eu subvertendo a condenação ao exílio d'alma.

Por um único segundo - o último, não sei -, a mulher mais bonita do mundo bateu à porta da imaginação. Por toda uma vida, se apenas isso me contemplar, serei um pouco daquele instante, sempre hesitante, gigante.