16 dezembro 2011

Um livro sempre atual


Em "O futuro da filosofia da práxis", o filósofo Leandro Konder reconstrói a trajetória do pensamento de Marx fixando-o no século XIX. Marx levantou questões que muitos economistas contemporâneos ainda não resolveram, como, por exemplo, o valor-trabalho e a expropriação de energias humanas para a concentração e o benefício proporcional de poucos. Como sujeito do século XIX, Marx não escapou também às influências do romantismo e do positivismo, o que pode ser claramente atestado em muitas de suas críticas ao modo de produção capitalista como um "estágio" da evolução humana (parcela de sua mentalidade emprestada a C. Darwin, que era autor dileto do amigo de Karl, o velho Engels). O que muito marxistas de hoje em dia combatem como "ciência" é a presença inequívoca de elementos positivistas na obra do genial autor de O Capital, expediente que estipula verdades como fenômenos exteriores à subjetividade e ao enfrentamento da objetividade. Logo na abertura do livro, Leandro Konder assevera: a coisa mais difícil, nos dias atuais, é pensar historicamente. Eu assino embaixo dessa assertiva de 1992, ano da primeira edição, pela Paz e Terra, desse livro indispensável.