26 maio 2012

MICROCONTOS II



Beijo celestial

Ontem mesmo, à noite, quando me deitei, apesar da gripe terrível, fixei meus pensamentos num interminável beijo entre nós dois. Acordei com a sensação de que eu havia viajado até o céu, conhecido os anjos e, enfim, retornado melhor para a vida. Um beijo dela seria muito mais do que palavras.

Luar

Ela tem um nome encantador, embora eu esteja proibido por mim mesmo até de pensar nele. O nome dela, inviolável, é amante da Lua, o símbolo dos poetas, a chaga dos amantes. Nunca disse a ninguém que penso nela, que soletro diariamente seu nome, evitando assim ser flagrado com toda sua graça na cabeça. Já fantasiei mil coisas entre nós. Já esbocei sua sombra em poesias e a tornei protagonista de muitas viagens. Nossa, ela nem desconfia. Não faz a menor ideia que durmo e acordo com seu rosto e o segredo daquele corpo, declamado no peito de instante em instante, em minha alucinada imaginação. Tenho vivido de luares proibidos.

Desconfiança

Eu compus uma canção bem simples, com letra de sonhos. Próximo ao refrão coloquei um convite: pedi a ela que não duvidasse do meu desejo. Nas poucas ocasiões em que estive perto dela, até os versos - habituais em meu pensamento - se ausentaram. Eu tremia o tempo todo, imaginando nossos corpos juntos, frenéticos, completamente enlouquecidos. Era olhar para ela e imediatamente imaginar o Olimpo do Amor. Agora que fiz essa canção, essa simples melodia de meus calafrios, ando desconfiando que um beijo bem inocente já seria muito bom.