07 setembro 2012

Sexto Round



Em meus braços
a lua sorria,
o mais brilhante e
encantador sorriso
do universo.

Enquanto o beijo
nos ensinava seus caminhos,
nós, jovens aprendizes
de um amor intenso,
pretenso,
escandaloso consenso,
fitávamos a alma um do outro -
ela, olhos da lua,
jurava ser ali seu lugar,
em braços meus;
eu, coração menino,
apenas concordava e
ampliava o aconchego.

A boca da lua,
ilustrada pelo olhar,
profundo, livre,
feminino,
injetava ânimo:
um, dois, três,
quatro, cinco,
seis rounds -
tarde, noite,
manhã seguinte,
só houve tempo
para o exercício
do amor.

Aos quarenta
descobri amar
na lua de vinte anos,
tão menina, tão viva.
O mistério, a fonte
de uma juventude
que ainda está em mim,
no peito, na raça,
na ponte em que a vi,
logo amei, a lua
devolveu a mim
a poesia perdida.

Ah, a boca da lua,
o sorriso de tanto
brilho, júbilo,
pureza...

O cheiro, o gosto
da lua, a suave camada
de pele que fez tremer
meu corpo, fluir o
desejo por minhãs mãos,
de um sujeito,
de vida, só êxtase...

Na ponte, sonhei
amar a lua.
Agora, vivo
acordado,
à espera, confiante,
a fitar a boca
do céu -
horizonte.