20 setembro 2012

Um pedaço dela




Novamente a pequena tela vista a distância me pôs diante dela. Ontem, além de destinar a ela uma piscadela e um sorriso bem desajeitado, toquei-lhe apaixonadamente o braço, sentindo que alguma coisa em mim clamava por um pedaço dela, um simples fragmento. Um beijo, um sorriso, uma entrega, uma só. De tudo, eu queria um pedaço, um momento daquela morena de cabelos pretos, intensos, olhar suave, fragilidade cativante. As mãos para lá e para cá punham em movimento meu desejo, minhas inconfessáveis fantasias. Pena não poder ouvir a voz dela. Eu sou da turma de cá, tenho de vê-la de longe, às ocultas, querendo aquela mulher mais do que a tudo neste mundo. Terei um pedaço dela? Ouvindo “Smile”, do Pearl Jam, imaginei que com ela – ou com um simples pedacinho dela - eu poderia, enfim, renascer.