01 outubro 2012

Basorexia


A palavra que explica o que sinto quando me sento ao lado dela surgiu-me no auge do incontrole. Perto ou longe, em verdade, nítida ou sombreada, a imagem da doce morena de sorriso galático me incita ao crítico e perturbador desejo de beijá-la. Ao dormir e ao acordar, beijá-la é tudo em que penso.

O beijo, o toque dos lábios, o movimento do rosto, as mãos a acariciar nuca e cabelo... Pela primeira vez, o amor começa e se encerra num beijo para mim. Nada mais é necessário. Eu realmente não cotejo outra coisa: quero morrer e renascer naquele beijo.

Descubro, então, que sofro de basorexia, um despudorado impulso por beijar aquela mulher de olhos negros e gargalhada deliciosa. A boca doce, imagino, será meu veneno-remédio.