22 novembro 2012

Controle Social


Somos vistos de todos os ângulos em toda parte. Nas ruas, nas fábricas, nas lojas, nas escolas, nos espaços públicos e até privados, a ordem é vigiar. Se necessário, punir.

Impossível não lembrar o pensador francês Michel Foucault (1926-1984) quando nos damos conta de que vivemos num imenso labirinto espelhado, perdidos, podendo contar apenas com nós mesmos. O problema é que, se estamos realmente perdidos, é desaconselhável o excesso incentivado de autoconfiança.

Foucault, que leu Bentham, apreciou e trabalhou bem sua ideia de panóptico. Ele acreditava que temos medo de transgredir porque não sabemos ao certo se estão nos vendo. Somos vistos, votados, comprados, malditos e até condenados, mas não sabemos quem está fazendo tudo isso.

O bom filósofo francês, autor do monumental “Vigiar e Punir”, uma crítica aberta e de enorme fôlego ao sistema prisional moderno, afirmava que vivemos em núcleos sociais muito semelhantes a presídios, hospitais e hospícios. Nesses lugares tidos por pouco nobres, vivem os diferentes, aqueles que, sendo maus, doentes e loucos, precisam ser confinados, vigiados, seguramente afastados do colorido mundo dos bons, sadios e sãos.

Os de outra cor de pele, os de outra orientação sexual, os de outra fé, os de outros princípios e valores necessitam, então, ser disciplinados, adocicados, tornados úteis.

A patrulha de combate à diferença – via de regra um aglomerado de elites que julgam fazer tudo em nome da liberdade, da moral e dos bons costumes – estigmatiza o outro como subversivo, perigoso, uma ameaça à ordem que enriquece alguns, proclama miseráveis todos os demais.

Contra a ordem, insistem os resistentes, os movimentos sociais que vez por outra incendeiam as ruas e as consciências conformistas. Foucault via na infinita genealogia de conhecimentos e saberes do mundo a chance da mudança. Os mapas da vida não estão nas festas regadas a espumante europeu, nos coquetéis de novos empreendimentos imobiliários ou nas reuniões refrigeradas dos abastados. Eles estão, estiveram e sempre estarão nas ruas do mundo.