08 novembro 2012

Geração Y


Muito se fala da tal geração “Y”, que teria entre vinte e trinta anos, nascida, no limite, na metade dos anos 1980. Geração pós-ditadura, aos pés da queda do Muro de Berlim e dos estilhaços da União Soviética, os jovens de letra “y” são rodeados por tecnologias, inovadoras possibilidades de comunicação e, principalmente, alheios completamente às bandeiras e ao legado da juventude de 1968, aquela composta por gente que queria mudar o mundo.

Hoje, o mundo em debate é o mundo privado de cada um. Numa época de pouca ou nenhuma utopia, a regra é a felicidade profissional, o sucesso financeiro, o cerco por objetos eletrônicos e muitos bens de consumo.

A nova cultura dos computadores colocou todos em rede, integrados, conectados a velocidades cada vez maiores. De lá e de cá, surgiram análises otimistas sobre o promissor futuro de gente informada, antenada, mobilizada, crítica e consciente. Ao mesmo tempo, tudo que antes era busca e construção virou download e dispersão. Onde reinam o excesso e a facilidade, o temporário é a única certeza.

Sem livros, pouco atentos, desinteressados pelas causas comuns, os jovens de letra “y” mal reconhecem as palavras; falam por cifras e linguagem criptografada. De muitas maneiras, na medida em que só pensam em si mesmos e se negam a ocupar o mundo compartilhado da diversidade, atomizam a experiência e retribalizam a vida social. Se para os já cansados membros da geração “x” (que foram pupilos do Professor Xavier e colegas de turma do Wolverine) a questão era descobrir os mapas do mundo e os tesouros da democracia, para a geração “y” o objetivo é conquistar tudo e se esforçar nada. Bem ao contrário do que dizem “headhunters”, consultores empresariais e noviços nada rebeldes do neoliberalismo, a letra “y” não pode ser o futuro, uma vez que ela só pensa no presente e se esqueceu absolutamente do que foi decisivo no passado. Numa palavra, trata-se de uma geração sem história.

Sem ideias, sem valores para partilhar, sem um desejo que possa ser projetado no horizonte, nossos dias anseiam por um novo tempo, por gente que resista, que não aceite entregar-se à escuridão.

Nunca fomos tão carentes de dissidentes.