04 fevereiro 2013

Vitória

 
Nascemos com a missão de fazer um sonho viver
Mesmo com pessoas e pedras fechando o nosso caminho
Fazem necessário que não tenhamos nenhuma paz
Porque a alma descansada não brilha jamais
Inabalável
Certo da vitória

[Dorsal Atlântica, "Vitória'", 
do álbum Dividir e Conquistar
de 1988]
 
E se de repente eu descobrisse que acreditei nas coisas certas, que confiei no bom ideal, que depositei fé nas personagens da verdade?

E se de uma hora para outra eu viesse saber de uma vez por todas que as dúvidas que alimentei eram mesmo as interrogações certeiras de quem deseja aprender com a vida? No turbilhão de emoções que chacoalham sonhos e convicções, parece que foram realmente bons os créditos que efetuei, os débitos que consenti.

E se, no amor ao mundo, tal qual Arendt e Benjamin, em seus tão diferentes caminhos, eu recebesse a faixa de vencedor, aquela que a vida dá aos que lutaram do lado certo? Eu deveria, então, aplaudir as opções que fiz durante a busca pelo mapa de minhas minas?

Tenho sonhado, sim, com essa consagração. Observando tudo à minha volta, tenho amado mais o que sempre amei, defendido mais aquilo em que sempre acreditei. Tenho feito, enfim, a defesa do que sou, do que tanto lutei por me tornar – e dos defeitos e equívocos tenho retirado a possibilidade de um belíssimo futuro jardim de jasmins.

Há em mim, como alma nova, um doce sabor de vitória. Estou me sentindo tranquilo. E muitíssimo bem.