14 abril 2013

Sartreana

Jean-Paul Sartre (1905-1980)

Meu versos são
meus tantos
inversos,
um espesso avesso,
travesso,
que me cutuca,
incomoda,
tira do sério.

Eu deliro
diante das palavras
antes de escrevê-las.
Elas são uma visão,
a matéria-prima
da imaginação.
Elas existem antes
de aparecer -
são o tempo de Sartre
que vive em mim.

 Meus versos
quase sempre
são meus reflexos;
minha garantia
de sobrevida,
sobretudo,
sobre absolutamente
nada -
um longo tempo de nada,
uma náusea,
outra de minhas vertigens
sartreanas.

Minhas palavras
me condenam
à liberdade.
Elas são implacáveis:
é amá-las ou morrer.
Sigo, então,
morrendo nelas
(talvez),
amando-as ilícita
e desconjuradamente -
e livre.