10 maio 2013

O sentido da vida


Dias atrás peguei na estante de livros lá de casa o belíssimo e obrigatório “Irmãos Karamazov”, de Dostoiévski. Tirei este ano para ler mais uma vez ou conhecer os grandes nomes da literatura russa. A idade traz essas necessidades e urgências inadiáveis. A ideia de a vida acabar sem que eu tenha mergulhado fundo em Dostoiévski, Tolstoi Gogol, Tchekhov e tantos outros é, para dizer o mínimo, angustiante.
 
A epígrafe do livro de Dostoiévski, contudo, foi o que gerou essa breve reflexão, essa viagem perfurante pelos labirintos da existência.
 
Diz o autor de “Crime e Castigo” (o mais importante romance da literatura mundial em todos os tempos) que a vida não consiste apenas em viver, mas antes – bem antes! – em encontrar um sentido para ela, a doce vida.
 
Em que temos apoiado a vida nesse estranho e ainda indecifrável início de terceiro milênio?
 
No dia a dia, observando alunos e muitos colegas de trabalho na educação superior, constato que de superior a vida tem tido muito pouco. Aliás, o sentido da vida tem sido de uma inferioridade transtornante.
 
O debate de ideias, o gosto pelas questões estéticas, a discussão sobre as urgências da ética, quase nada mais habita o cotidiano dos bastidores acadêmicos. Confundem frankfurtianos com pós-modernos; falam de elitismo (palavra polissêmica) sem entender a essência contraditória da palavra. De livros, pouco de diz; de autores clássicos, nada mais se fala. As provocações do conhecimento científico e as temáticas sensíveis da arte simplesmente desapareceram. E, com elas, o pedaço que deveria haver em cada um de nós do gênero humano.
 
Pululam, então, o vazio, o bater de palavras em torno de fórmulas prontas, casuísmos, o mais nocivo dos utilitarismos. A sensação que tenho é de que o saber virou uma entediante apostila feita às pressas, recheada de erros de português e de incongruências conceituais.
 
A biblioteca vive às moscas; não há sessões de cinema, mesas-redondas para pensar o humano, o país, o mundo...
 
Enfiei-me pela leitura de Dostoiévski e passei a sonhar com dias melhores, com o grande encontro que terei com o sentido da vida. Os escritores russos entendem muitíssimo bem desse assunto.