21 julho 2013

Artes liberais


"Cidade do Lago", pintura de Leonid Afremov

O mundo moderno tem uma de suas bases fincadas nas artes liberais. Eu diria mais: a base de sustentação do melhor que a modernidade pôde realizar são as artes liberais e tudo que ela promoveu nos últimos séculos.
 
A filosofia e as ciências humanas, o teatro e o cinema, a literatura e a música, a cultura, enfim, permite que sejamos melhores, sonhemos mais, superemos dificuldades e escancaremos horizontes.
 
T. S. Elliot, um bom analista conservador, afirmou que a cultura vem antes e sustenta todas as formas de conhecimento. Hoje, com a matança progressiva das artes liberais, acredita-se que o conhecimento não tem bases, reduzindo tudo ao discurso da eficiência, da agilidade e das formações enxutas e objetivas. Ou seja, reduzindo tudo, apenas.
 
Em nome de necessidades urgentes e interesses imediatos, conteúdos são transmitidos sem que haja no receptor a base cultural indispensável. Resultado: tragédias de uma comicidade lamentável.
 
Nas escolas e, ainda mais, nas universidades, a cultura perdeu lugar. O espaço e o interesse dedicados às artes liberais no mundo educacional são mínimos, tão mínimos que já imperceptíveis.
 
Por toda parte, o genocídio vitimou a filosofia, a sociologia, a literatura, o cinema, o teatro, a política, os estudos que exaltam a investigação sobre o humano, colorem o conhecimento e dão vida à sensibilidade e a visões de mundo mais abrangentes e ricas.
 
Sem cultura, a barbárie aniquila a gramática, o raciocínio crítico e as dúvidas que permitem ao espírito elevar-se. No imediato lugar que agora ocupa a incultura, brotam gráficos, mentiras e muita autoajuda, esse libelo da estranheza absoluta do ser humano diante do seu presente, do seu passado e, pior, do seu futuro.
 
A grande questão que a morte das artes liberais em nosso triste e opaco tempo levanta é calamitosa: afinal, seremos capazes de sobreviver num mundo sem inteligência?