15 julho 2013

Sorriso


Se os olhos são o espelho da alma, o sorriso é a porta do céu. Não existem sorrisos iguais, assim como é impossível negar o poder que todo sorriso tem.

A culpa das paixões é do sorriso. São dele também as noites mal dormidas, a ansiedade amorosa, a deliciosa distração de quem não consegue esquecer seus encantos. O sorriso, para todos os efeitos, desafia a razão, dribla o coração, faz o que bem quer com suas vítimas. (Na verdade, é injusto denominar “vítima” quem é capturado por um sorriso; trata-se de um ser privilegiado.)

Uma pessoa bonita, quando sorri, fica linda, deslumbrante. Uma pessoa que não sorri, ainda que aparente a delicadeza dos anjos, não pode ser bela. Toda beleza será sedutora ou não será. Sem sorriso, sem sedução.

Infinitas são as maneiras de um sorriso encantar, contagiar e, claro, seduzir: a criança que brinca em sua pureza, os jovens que sonham em sua leveza, os adultos que lutam em sua certeza, os idosos que insistem em sua inteireza. Para cada fase da vida, muitos sorrisos a eleger, muitos traços pulcros para compartilhar.

Os olhos – aqueles que falam do que há em nossa alma – são o adorno preferencial do sorriso. Enquanto o olhar oferece a profundidade do que se passa no coração, o sorriso não desmente o que de fato acomete os muitos nós do humano, dos labirintos das tantas tramas do viver.

Por medo, vergonha ou pura dissimulação, aprendemos a desviar o olhar, fingir o modo como o mundo pode e está sendo visto. Já o sorriso, este não se esconde em artimanhas – inexiste quem não entenda de sorriso falso ou verdadeiro, sublime ou melancólico, de êxtase ou de castração.

O ser humano que sorri tem a chave da porta do céu, abre caminhos, conhece as melhores pistas e não deixa nunca de ousar amanhãs. O sorriso, assim, é fonte de vida, mapa de amor, oração à imaculada perdição. O sorriso, em síntese, é a liberdade irrecusável.