02 agosto 2013

A loba se latiniza


Em Moray, Alpes Peruanos, no coração do Vale Sagrado dos Incas, uma enorme área de cultivos experimentais, ideia símbolo das grandes transformações na vida.

Depois do casamento no palácio em Copenhague, andei um pouco pelas belas ruas da cidade. À noite tudo é mais bonito no Velho Mundo. 

Incontáveis cafés me convidavam a cada passo; artistas noctívagos encenavam seu olhar em público, agraciando-me com histórias inéditas de vida. Parei, então, para um café num acolhedor pier - de frente para mim, a lendária sereia da baía dinamarquesa.

Àquela hora da noite, um ensaio pela madrugada, a loba já viajara para muito longe. As colunas sociais falavam em lua de mel em grande estilo pela América Latina, uma viagem pelo universo andino de tantas lutas populares e pelo mar caribenho de incomparáveis sóis. A loba, enfim, se encontraria com sua ancestralidade ferina, cujo poder de sedução invencível havia roubado meu coração, anos atrás.

De charuto cubano e café colombiano como companhia numa noite fria, numa Escandinávia cosmopolita e iluminada, eu não sabia como conter tanta tristeza: a loba latina perdia-se nos braços e amores de outro homem, nada latino, nada merecedor daquela que para sempre será uma das melhores mulheres do mundo.