01 agosto 2013

Francisco, o carismático



Em visita ao Brasil, para participar da XVIII Jornada Mundial da Juventude (JMJ), de 23 a 28 de julho de 2013, o Papa Francisco deu bonitas lições de humildade e transmitiu importantes palavras de compaixão e solidariedade.

O Brasil é certamente o maior país de maioria católica do mundo. Algo em torno de sessenta a setenta por cento dos brasileiros se declaram seguidores do catolicismo. Só isso já tornaria a visita do Papa um evento de destaque. Mas, me parece, existem outros motivos.

Nos últimos anos, numa realidade contaminada pela ampliação de tristes manifestações de fanatismo religioso - fenômeno que vem invadindo a mídia, a educação e a política do país -, os ensinamentos franciscanos do novo líder da Igreja católica vêm muito a calhar. Numa época em que fé e dinheiro resolveram se dar mãos e mentes, é muito bom ouvir falar em humildade e prazeres do espírito. Francisco, o Papa, falou de simplicidade e a praticou; discursou contra a ostentação e na prática a rejeitou.

O Francisco que andou pelas ruas do Rio de Janeiro e rezou com igual talento e inquestionável dom na Basílica de Aparecida do Norte e a nas areias de Copacabana lembrou os padres sonhadores do interior do Brasil e fez da palavra de amor o símbolo de sua caminhada religiosa.

Contra a crítica fácil e a demagogia oportunista, não podemos esquecer que, além de líder religioso, Francisco é chefe de estado. Uma visita dessa natureza desperta atenção, curiosidade e exige aplicação pública de recursos materiais e humanos. Cabe, então, refletir: será que as sementes deixadas pela visita de um sujeito tão carismático e atraente como ser humano não valem tamanho investimento? Num país acostumado a torrar dinheiro em bobagens e tramoias, minha resposta é "SIM".

Com poucos meses à frente da Santa Sé, Francisco tem dado prova de seu viés reformador. Está aos poucos alterando estruturas de poder que permaneceram intocadas por décadas. Sem exageros, Francisco é um Papa só comparável a João XXIII, um homem que foi mais do que um santo.

Há muito o que contestar e mais ainda a condenar na postura da Igreja Católica em toda a sua história. Não há dúvida disso. Mas existe a boa hora para tudo. No momento, acredito que Francisco, em sua oportuna passagem pelo Brasil, tenha nos conduzido pelo urgente instante da reflexão e do amor.