15 agosto 2013

Horizonte


Suzanne e Ida, com a atenção dedicada ao horizonte, em fotografia de Pablo Saborido, para a Revista Trip.

No horizonte está tudo aquilo que ainda não é realidade. Difícil saber se um dia será. Ninguém está habilitado para dizer o que exatamente há no horizonte nem quem serão os privilegiados por alcançá-lo.

O horizonte é desejo e mistério. E é isso que o torna tão sonhado, o destino exclusivo de todas as bússolas.

As melhores ideias estão no horizonte. Aquelas que criam, aquelas que solucionam, aquelas que apaziguam, curam, aproximas as pessoas da verdade. Religiosos, cientistas, bons políticos, gente de bem, todo mundo deposita o olhar e a esperança na reta e ao mesmo tempo sinuosa linha do horizonte.

Aos sonhos, dizem, estão reservados nossos melhores momentos. As festas, as férias, os fins de semana, o desejado momento no balançar da rede ou numa cadeira de descanso: é nessas horas que alimentamos a imaginação. Mas vale nunca esquecer que, independentemente do tamanho, do estilo, da profundidade ou da importância, os sonhos residem no horizonte, estão à frente, vivem no amanhã.

O sol, o mar, o campo verde forrado das cores múltiplas das flores vivem e repousam também no horizonte. No fim de tudo que nos consome – as horas, os dias, os anos inteiros -, brilha o horizonte. Há horizontes claros e escuros (uns são transparentes, previsíveis e esperados; outros, neblina, trevas por vezes). De uma coisa, contudo, todos sabemos: a vida seria insuportável e até inviável se não soubéssemos desenhar horizontes.

Muitas paisagens habitam nossas ideias. E, se são ideias, estão lá, no horizonte. A cidade da viagem perfeita, a praia da paixão definitiva, a final de campeonato almejada com o time do coração, o beijo mágico do despertar de tudo. Sejamos sinceros: o que de valioso neste mundo não está ou um tempo esteve no horizonte?

O horizonte como motor do pensar ensina a firmar passos, rever planos, costurar expectativas. A imagem permanente do horizonte é a nítida constatação de que nós, humanos, somos porvir. O que seremos, aliás, é a razão de ser de nosso estreito e indissociável laço afetivo com o horizonte.