11 setembro 2013

Coração Vermelho



(para Salvador Allende)

Descobri
que meu coração
e frágil
quando percebi
que ele atropela
meus passos.

Há um enorme
descompasso
entre o ânimo das ideias
e a batida dentro do peito,
entre os planos da cabeça
e a realidade na contramão.

Com o tempo
(numa luta sem aliados)
os ponteiros se acertam -
o do ritmo das coisas
e o da vontade de viver,
bela,
transbordante de si.

O velho coração vermelho,
abatido e cansado,
não quer parar:
bate dizendo
que ainda tem
um mundo
a sonhar.