19 setembro 2013

Visita íntima


O amor que nunca fizemos
(que nunca fugiu à pura imaginação)
aqueceu o sonho desta noite
(tudo que ainda tenho de real sobre você).

Ainda demora para aceitar que não seremos,
não poderemos,
não ousaremos,
não faremos.

Nem mesmo um beijo
nossos insinuantes olhares trocados se permitiram.
Presos às armadilhas das convenções,
agredimos nosso desejo,
impedimos o melhor momento,
aquele presente que se eterniza,
faz do tempo um agora infinito.

Esta madrugada você me visitou,
morena mais bonita do mundo!
Mais uma vez,
você se fez real
na ilimitada irrealidade
em que sinto seu cheiro,
num sonho profundamente
excitante e perturbador.