22 outubro 2013

Integridade


O histórico comunista pernambucano Gregório Bezerra (1900-1983), cuja vida foi sinônimo incontestável de integridade, ou seja, de resistência, decência, coragem e coerência.

Os bons dicionários da língua portuguesa registram que a expressão integridade está relacionada com a ideia de inteireza e com o contrário de incompletude. Há mais significados para essa palavra tão rica – íntegro é o sujeito de retidão de caráter e de honestidade a toda prova. Numa síntese meio arbitrária (como toda síntese, aliás), pode-se afirmar que integridade tem tudo a ver com decência e firmeza.

Por ser firme, o íntegro é aquele que não sofreu ataques ou, se sofreu, mantém-se intacto, sem arranhões. Penso que seja nesse sentido que se dê o valor de resistência de toda integridade - sua decência está em nunca se abalar, jamais abrir mão de seu lugar de direito na difícil e tumultuada batalha das ideias.

A riqueza da palavra integridade está também nas digressões inteligentes que ela incentiva. Se íntegro é aquele que se revela completo, mais íntegro ainda é aquele que escancara toda a sua humanidade. Sendo humano, entretanto, o íntegro só pode ser incompleto, maravilhosamente imperfeito.

Na imperfeição elabora-se a integridade daqueles que sempre têm muito a aprender. Como aprendizes da vida, os íntegros se fazem acompanhar de ternura e muita humildade. Quanto brilho numa só palavra! A integridade é expressão de valores múltiplos e alardeadamente desejados: incompleto, posto que aberto aos ensinamentos do mundo; honesto, inabalavelmente justo em seus propósitos; forte, exemplo incontestável de resistência e coerência.

Maculada pelo relativismo absoluto e pela instantaneidade dos privilégios concedidos em nome do status e do poder do dinheiro, a realidade contemporânea é bastante avessa aos termos que conferem toda a fortuna da palavra integridade. Muito mais do que um ser admirável, o íntegro tende a ser visto como um romântico, um fracassado iminente. Por tudo isso, cresce diariamente o tom destemido de sua coragem. A integridade precisa ser forte – seu elemento vital é mesmo a resistência.

O bom senso que a ética garante é a matéria-prima da integridade nos tempos que correm. Perder ou ganhar, essa não é a questão. Para quem conhece o verdadeiro valor da integridade (o da coragem que nunca cessa), tudo que importa é fazer bem todo o bem que nesta vida houver.